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CASO THAYS MACHADO

Defesa de Carlinhos Bezerra diz que acusação “tirou documentos de contexto” no caso Thays

Muvuca Popular

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A defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, afirmou na manhã desta terça-feira (21), antes do início do Tribunal do Júri, que o réu chega ao julgamento sem ter tido acesso integral às provas produzidas durante a investigação. O advogado Elson Marcelino da Silva Júnior também rebateu a tese do Ministério Público de que o crime foi premeditado e sustentou que a acusação construiu a denúncia com base em “inferências”, e não em provas concretas.

Carlinhos Bezerra é acusado de matar a tiros a ex-companheira Thays Machado e o então namorado dela, Willian Cesar Moreno, na noite de 18 de janeiro de 2023, em frente ao edifício onde a vítima morava, no bairro Consil, em Cuiabá. Segundo o Ministério Público, o empresário não aceitava o fim do relacionamento e perseguiu Thays antes de cometer o duplo homicídio. O julgamento foi mantido após a Justiça negar quatro pedidos da defesa para suspender a sessão.

Em entrevista à imprensa, Elson Marcelino afirmou que a defesa recebeu apenas sete dias para analisar um conjunto de arquivos digitais com cerca de 109 gigabytes de documentos, além de milhares de páginas de processos que, segundo ele, só foram disponibilizados às vésperas do júri.

“Nós fomos surpreendidos com uma caixa contendo três pen drives, oito CDs e DVDs, somando 109 gigabytes de documentos. Recebemos apenas sete dias para analisar todo esse material, além de outros processos que sequer haviam sido disponibilizados anteriormente”, afirmou.

O advogado também contestou a narrativa apresentada pela acusação de que o empresário perseguia a ex-companheira e planejou o crime. Segundo ele, mensagens e anotações atribuídas ao acusado foram retiradas de contexto.

“A acusação fez recortes de documentos e anotações de 2021 e 2022. Quando se analisa o material na íntegra, percebe-se que não existiu essa perseguição da forma como foi apresentada. Se os documentos forem mostrados completos, muita coisa muda”, declarou.

Outro ponto levantado pela defesa foi o pedido para que Carlinhos Bezerra fosse submetido a um exame de insanidade mental. Conforme Elson Marcelino, o requerimento não tinha como objetivo evitar o julgamento, mas garantir que o acusado tivesse acesso a todos os direitos previstos na legislação.

“O que buscamos é apenas um julgamento justo. A perícia particular apontou elementos que justificariam a realização do exame de insanidade mental. Isso não significaria impunidade nem colocaria o réu em liberdade, apenas garantiria o devido processo legal”, afirmou.

O advogado ainda negou que os sucessivos recursos apresentados pela defesa tenham caráter protelatório. Segundo ele, todas as medidas adotadas buscaram assegurar o direito de defesa e questionar supostas falhas processuais.

“Não fazemos manobras. Trabalhamos com aquilo que a lei prevê. O maior prejuízo não é da defesa, mas da sociedade, se um processo dessa relevância for julgado sem que todas as garantias constitucionais sejam respeitadas”, disse.

Apesar das críticas à condução do processo, Elson Marcelino afirmou que a expectativa da defesa é que o julgamento seja concluído ainda nesta terça-feira, com a apreciação do caso pelos jurados.

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