Os preços dos fretes no mês de junho apresentaram crescimento percentual em relação ao mesmo período de 2025, nas principais rotas monitoradas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No comparativo mensal, alguns destinos registraram declínio em relação ao mês de maio, como a maioria das rotas avaliadas no estado de Mato Grosso, maior produtor de grãos nacional. Os dados estão disponíveis na última edição do Boletim Logístico, divulgado pela Conab nesta terça-feira (28).
Além dos custos operacionais e logísticos, o quantitativo da safra de grãos 2025/26 contribuiu para o aquecimento das rotas de escoamento da produção no período recente. No acumulado até junho de 2026, as exportações brasileiras de soja em grãos atingiram 69,5 milhões de toneladas, o que representa um acréscimo de cerca de 7,12% em relação ao primeiro semestre de 2025. Os envios de milho ao exterior também registraram variação positiva no mesmo período, alcançando 7,9 milhões de toneladas, cerca de 22,13% acima dos valores totalizados em junho de 2025.
Das rotas monitoradas pela Companhia em Mato Grosso, 72% demonstraram recuo nas cotações mensais, que oscilaram entre queda de 8% e aumento de mesmo valor. Apesar da movimentação da segunda safra de milho, o volume de embarques é menor do que o esperado para o período. O crescimento da demanda interna do cereal, os preços pagos ao produtor e os trajetos rodoviários mais curtos compõem a conjuntura observada. Em Mato Grosso do Sul, os fretes mantiveram-se estáveis, com incremento nos valores praticados em metade dos trechos avaliados. Os preços permaneceram sustentados pelos custos operacionais de transporte e pelo fluxo contínuo de cargas agrícolas.
Ainda na região Centro-Oeste, a movimentação dos fretes foi de recuo na maior parte das rotas pesquisadas em Goiás, especialmente nas praças originadas em Cristalina e Bom Jesus de Goiás. Já no Distrito Federal, todas as rotas apresentaram retração, com valores mínimos até 4% inferiores ao mês de maio. A manutenção dos preços do diesel, embora elevados em relação ao mesmo período do ano anterior, e a descontinuidade do escoamento das safras de soja e milho explicam o quadro.
Na Bahia, o levantamento também verificou queda ou estabilidade em todas as rotas. Nos transportes originados em Luís Eduardo Magalhães, importante produtor de grãos no oeste do estado, os fretes chegaram a ficar até 7% mais baratos. A redução da demanda em relação à temporada de pico de escoamento de grãos em abril, associada ao aumento da oferta de transportadores e, consequentemente, da concorrência, favoreceu o comportamento das tarifas. Já no Maranhão, o movimento foi de ascensão em algumas regiões, com destaque para Balsas e Tasso Fragoso, resultado do aumento da demanda após finalização da colheita da soja. No vizinho Piauí, as variações positivas nos fretes também foram predominantes, em consequência dos envios de soja ao exterior e do incremento no preço local dos combustíveis.
Nas praças paulistas, a maioria dos valores manteve-se estável ou com pequena variação positiva. Apesar do atraso nas operações de colheita em algumas localidades, a procura para escoamento da produção agrícola cresceu. Em Minas Gerais, a pesquisa apontou preços declinantes e praticamente constantes. Nas rotas paranaenses, por sua vez, o início da colheita do milho segunda safra elevou a demanda por transporte nas principais regiões produtoras do estado, com custos operacionais influenciados pelo preço do combustível.
Exportações – Os embarques de milho pelo Arco Norte chegaram a 35,4% no acumulado do primeiro semestre de 2026. Para a soja, os portos desse centro de distribuição foram responsáveis pelo envio de 39,1% da produção ao exterior no mesmo período. Na sequência, os portos de Santos/SP e de Paranaguá/PR foram os principais terminais logísticos de escoamento dos dois grãos.
Adubos e fertilizantes – As importações de fertilizantes acumuladas até junho atingiram 18,31 milhões de toneladas. O valor é cerca de 5,7% inferior ao verificado no mesmo período de 2025.
A pesquisa analisou as principais rotas de escoamento de grãos do país, abrangendo dez estados. O documento também apresenta análises sobre as exportações nacionais e a movimentação dos estoques da Conab.



