POTÊNCIA AGRÍCOLA
“Na China, eles sabem falar Mato Grosso”, diz Pablo Spyer ao apontar Estado como locomotiva do Brasil
Patrícia Neves e Renato Ferreira
Reconhecido mundialmente pela força do agronegócio, Mato Grosso é um polo estratégico para a economia global. A avaliação é do economista Pablo Spyer, que destacou, nesta quarta-feira (29), em Cuiabá, a projeção alcançada pelo Estado entre investidores e compradores internacionais.
Sócio da XP Inc. e com mais de 30 anos de atuação no mercado financeiro, Spyer afirmou que a relevância mato-grossense é percebida não apenas nos principais centros econômicos do país, mas também em mercados como a China, um dos maiores parceiros comerciais do Brasil.
“Mato Grosso é visto com muitos bons olhos. É um polo muito importante. Não é apenas em São Paulo. Você vai a Xangai, onde está uma das maiores feiras do mundo, e os chineses sabem falar Mato Grosso. Falam ‘Mato Grosso, Mato Grosso’. Então, Mato Grosso é importantíssimo”, declarou.
Para o economista, o protagonismo do Estado está diretamente ligado à força do agronegócio, setor que sustenta parcela significativa da atividade econômica brasileira e mantém Mato Grosso em posição de destaque no cenário nacional. “O agro carrega o Brasil nas costas, e Mato Grosso é uma das locomotivas”, enfatizou.
A declaração foi dada durante o Fórum LIDE Mato Grosso, realizado em Cuiabá. O encontro reúne empresários, investidores e lideranças nacionais para debater o ambiente de negócios, os desafios econômicos e as perspectivas para o país.
Apesar da posição privilegiada, Spyer reconheceu que o setor produtivo mato-grossense atravessa um período adverso, marcado pela combinação de preços desfavoráveis das commodities, câmbio menos atrativo, custos elevados e aumento das despesas com fretes, combustíveis, insumos e fertilizantes.
“A gente tem visto uma tempestade perfeita para o pessoal do agro, falando especificamente de Mato Grosso. As commodities estão com preços ruins, o câmbio está ruim e os custos estão altos”, pontuou.
Ainda assim, o economista demonstrou confiança em uma recuperação gradual. Segundo ele, parte das dificuldades já pode estar sendo absorvida pelo mercado, enquanto a redução das incertezas políticas e internacionais tende a trazer mais estabilidade para empresários e investidores.
Na avaliação de Spyer, independentemente de quem vencer as eleições, o próximo governo terá de apresentar um plano fiscal consistente. Para ele, o equilíbrio das contas públicas será determinante para garantir previsibilidade, permitir novos investimentos e criar condições para que projetos e empreendimentos avancem.
“Independentemente de quem ganhar as eleições, a gente vai ter que ter algum plano fiscal. O mais importante é isso. Não há dúvidas, não tem como fugir”, afirmou.
Spyer também avaliou que o Brasil continua sendo visto no exterior como um destino atrativo para investimentos. De acordo com ele, o ingresso de capital estrangeiro demonstra que investidores internacionais ainda reconhecem as vantagens e o potencial de crescimento da economia brasileira.
“O Brasil tem sido visto lá fora como um lugar para aportar capital. Está entrando muito dinheiro porque o estrangeiro acredita no país e entende que, de certa maneira, estamos fazendo parte das nossas lições de casa”, explicou.
O economista citou ainda as dificuldades enfrentadas por países que disputam investimentos com o Brasil, como Rússia, Turquia e México. Segundo ele, o cenário desses concorrentes reforça a posição brasileira entre os mercados emergentes.
Embora considere que ainda há avanços importantes a serem realizados, Spyer afirmou que reformas aprovadas nos últimos anos contribuíram para melhorar a percepção internacional sobre o país. Nesse cenário, Mato Grosso aparece como uma das principais vitrines brasileiras, impulsionado pela capacidade produtiva, pelo agronegócio e pela presença cada vez maior no comércio mundial.
Para Spyer, com o encerramento do período eleitoral e uma eventual redução das tensões internacionais, o ambiente econômico tende a ganhar maior clareza e estabilidade, abrindo espaço para novos negócios em todo o país, especialmente em regiões produtivas como Mato Grosso.



