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O HOMEM DO COFRE

“WT” já foi alvo de quatro operações e teria mantido as finanças da facção mesmo preso

Nickolly Vilela

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Apontado pela Polícia Civil como tesoureiro do Comando Vermelho em Mato Grosso, Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “WT”, recebeu nesta quinta-feira (30) mais um mandado de prisão preventiva, mesmo já estando recolhido em uma unidade prisional de segurança máxima. Levantamento feito pela reportagem mostra que desde que foi capturado em 2024, ele acumulou ao menos três ordens de prisão relacionadas à Operação Apito Final, à regressão de regime e, agora, à Operação Replay.

WT foi preso em março de 2024, em Maceió, enquanto acompanhava uma partida de futebol amador. A captura ocorreu no âmbito da Operação Apito Final, que investigou um esquema de lavagem de dinheiro atribuído ao Comando Vermelho e apontou movimentação de aproximadamente R$ 65 milhões.

Na época, ele estava no regime semiaberto e utilizava tornozeleira eletrônica, após cumprir cerca de 15 anos de prisão. Conforme as investigações, o monitoramento foi burlado durante viagens realizadas pelo faccionado.

Além da prisão preventiva decretada na Apito Final, a Vara de Execuções Penais determinou a regressão de WT para o regime fechado. Um novo mandado foi cumprido em abril daquele ano, enquanto ele ainda estava detido em Alagoas. Naquele momento, a pena unificada atribuída a ele chegava a 51 anos e sete meses.

Após ser transferido para Mato Grosso, WT permaneceu preso e voltou a aparecer no centro de investigações que deram origem às operações Fair Play, Tempo Extra e Replay. As ações apuram a continuidade da estrutura financeira da organização criminosa, mesmo após a prisão de integrantes do grupo.

Na Replay, a Polícia Civil sustenta que WT continuava exercendo funções financeiras e disciplinares de dentro da penitenciária. Mensagens analisadas pelos investigadores indicariam que ele determinava cobranças, autorizava recolhimentos de dinheiro, orientava integrantes em liberdade e conferia planilhas da facção.

A investigação também identificou que um chip telefônico atribuído ao faccionado teria sido utilizado em sete aparelhos diferentes entre setembro de 2025 e março de 2026. Para a polícia, a troca dos celulares era uma tentativa de dificultar o rastreamento das comunicações clandestinas.

Pena sofreu sucessivas alterações

O total da pena de WT sofreu mudanças ao longo dos últimos anos. Quando ele foi preso na Operação Apito Final, em 2024, decisões judiciais citavam uma pena unificada de 51 anos e sete meses, dos quais aproximadamente 15 anos já haviam sido cumpridos.

Em novembro de 2025, o cálculo divulgado em uma decisão do Superior Tribunal de Justiça apontava condenações que somavam 30 anos, sete meses e 28 dias. Na ocasião, o STJ restabeleceu 492 dias de remição obtidos por trabalho e estudo dentro do sistema prisional.

O cálculo voltou a ser alterado em janeiro deste ano, quando o Tribunal de Justiça de Mato Grosso reconheceu a prescrição e anulou uma condenação de oito anos por roubo majorado. Segundo informações do processo, decisões anteriores já haviam afastado outras penas e, com isso, WT passou a somar mais de 29 anos de condenações anuladas.

Diante das sucessivas revisões, não há nas informações públicas consultadas um cálculo consolidado e atualizado da pena restante. A prisão atual, porém, não depende somente das condenações definitivas, pois WT também possui ordens preventivas relacionadas às investigações sobre organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Com o mandado cumprido na Operação Replay, ele permanece preso enquanto responde às novas acusações. A ação também alcançou pessoas apontadas como responsáveis por manter a movimentação financeira e patrimonial da facção fora do sistema penitenciário.

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