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FOCO É FLÁVIO BOLSONARO

Abilio nega conflito de interesses entre Prefeitura e PL e mantém Ananias no cargo

Patrícia Neves e Renato Ferreira

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que não pretende deixar o partido e descartou a possibilidade de ser expulso por se recusar a participar da campanha de candidatos ligados à aliança firmada entre o PL e o MDB em Mato Grosso.

A declaração foi dada após o presidente estadual da sigla e secretário de Governo de Cuiabá, Ananias Filho, defender punições a filiados que não seguirem as decisões partidárias para as eleições de 2026. Abilio, porém, disse ter conversado com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e garantiu que não existe interesse em afastá-lo da legenda.

“Não saio do PL e não vão me expulsar. Estão soltando matéria por aí dizendo que vão expulsar o Abilio. Não vou sair do PL e não vão me expulsar. O Valdemar não tem nenhum interesse em me expulsar. Conversei com ele”, afirmou.

Segundo Abilio, o senador Flávio Bolsonaro também não pretende interferir contra sua permanência no partido ou prejudicar a candidatura de sua esposa, Samantha Iris, que disputará as eleições deste ano.

“O Flávio não tem nenhum interesse de me expulsar. Nem o Flávio nem o Valdemar têm interesse em prejudicar a campanha da Samantha, como andaram falando por aí. Não tem nada disso”, declarou.

O prefeito voltou a dizer que concentrará sua atuação eleitoral nas candidaturas de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, de José Medeiros ao Senado e dos nomes do PL para deputado estadual e federal. Abilio afirmou que não pedirá votos para candidatos envolvidos na composição com o MDB.

“Eu não sou obrigado a pedir voto para os que estão aliados ao MDB, fazendo aquele conchavo. Não sou obrigado a fazer isso. A única coisa que eu não posso, pela legalidade, é pedir voto para outro candidato que não esteja na coligação”, disse.

Abilio também negou que Flávio Bolsonaro tenha manifestado apoio à aliança com o MDB durante um vídeo gravado em São Paulo. Conforme o prefeito, Wellington Fagundes apareceu ao fim de uma convenção e declarou o apoio que desejava receber, mas não houve manifestação expressa do presidenciável.

“O Wellington chegou no final da convenção, gravou o vídeo e falou do apoio que ele queria. Mas você não ouviu o Flávio manifestando esse apoio. O Flávio não falou isso”, sustentou.

Na avaliação de Abilio, Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro devem permanecer fora da disputa interna em Mato Grosso e concentrar as manifestações na candidatura de José Medeiros ao Senado.

“O que cabe ao Flávio e à Michelle, ao meu ver, é pedir apoio para o Medeiros, e eles estão fazendo isso. A Michelle fez uma publicação reforçando esse apoio e o Flávio também”, afirmou.

Questionado sobre um possível conflito com Ananias Filho, que ocupa simultaneamente a presidência estadual do PL e a Secretaria de Governo da Prefeitura de Cuiabá, Abilio disse que as funções não se misturam.

Segundo o prefeito, Ananias exerce uma atribuição administrativa quando atua na prefeitura e outra, de natureza partidária, quando representa o PL.

“Não existe conflito de hierarquia. São instâncias diferentes. Enquanto secretário, ele exerce a atividade na prefeitura e faz o trabalho dele. Enquanto presidente do partido, exerce a função de defender os interesses do partido”, explicou.

Abilio afirmou que mantém bom relacionamento com o secretário e que uma eventual decisão partidária não interferiria na permanência de Ananias na gestão municipal.

“Eu tenho um bom relacionamento com ele. Isso não afeta em nada. Ainda que ele tome qualquer decisão partidária, inclusive em relação a mim, isso não interfere no trabalho dele como secretário”, declarou.

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