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FOCO É ELEGER FLÁVIO BOLSONARO

“Não sou obrigado a pedir voto para Wellington”, diz Abilio ao contrariar direção do PL em MT

Patrícia Neves e Renato Ferreira

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O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou a se posicionar contra a aliança formada em torno da candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) ao Governo de Mato Grosso e afirmou que não participará de atos eleitorais ao lado de integrantes do MDB, do grupo político da deputada Janaina Riva e dos irmãos Jayme e Júlio Campos.

Abilio declarou que respeitará as obrigações partidárias, mas não pedirá votos para Wellington nem para Janaina, confirmada candidata ao Senado pelo MDB. Segundo o prefeito, sua atuação nas eleições ficará concentrada nas campanhas de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, José Medeiros ao Senado, dos candidatos proporcionais do PL e de sua esposa.

“Eu não vou subir onde estiver o MDB. A classe política está se reunindo em um grupo e eu não estou com esse grupo. Não vou subir nesse grupo”, afirmou. Nesta semana, Abílio foi a Brasília onde se encontrou com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e com Flávio Bolsonaro. Ele hipotecou apoio à candidatura e ao PL.

O prefeito disse que já comunicou sua decisão ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e ao presidenciável Flávio Bolsonaro. Apesar de Wellington ser o candidato do partido ao Governo, Abilio afirmou que não se considera obrigado a participar diretamente da campanha.

“Não sou obrigado a pedir voto para Wellington, não sou obrigado a pedir voto para Janaina, não sou obrigado a pedir voto onde está o Jayme e não sou obrigado a pedir voto para o MDB. Eu só não posso, pela legalidade, pedir voto para outro candidato”, declarou.

Abilio justificou o afastamento citando a presença de adversários das eleições municipais de 2024 na composição. Entre os nomes mencionados está o presidente da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (União Brasil), derrotado por Abilio na disputa pela Prefeitura de Cuiabá.

Para o prefeito, não seria coerente dividir o palanque com políticos que estiveram em lados opostos durante as últimas eleições e que continuam fazendo críticas ao bolsonarismo.

“Eu não posso estar do lado do cara que foi meu oponente durante a campanha eleitoral. O Botelho foi meu oponente, brigou comigo e ainda briga comigo. O Botelho reclama do Bolsonaro, e eu vou fazer de conta que está tudo certo e sentar ao lado dele na janelinha? Não é assim”, disse.

Abilio também citou disputas municipais ocorridas em Várzea Grande, Rondonópolis e Primavera do Leste para argumentar que antigos adversários agora tentam se unir em um único projeto eleitoral.

“Agora a gente vai fazer de conta que passaram dois anos, que a eleição é outra, e vamos virar amiguinhos? Não estou do lado do MDB”, reforçou.

Segundo ele, grupos ligados às administrações dos ex-governadores Silval Barbosa e do ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro perderam força política após as derrotas nas principais prefeituras do Estado.

“Essa classe política está se reunindo através de uma máscara de direita para tentar voltar ao poder, tomar prefeitura e tomar governo. Não tem meu apoio nesse projeto, não tem meu envolvimento. Não estou com o MDB, não estou com os Campos, não estou com os Rivas e não estou com essa turma”, disparou.

Questionado se apoiaria Wellington mesmo diante da aliança, Abilio reiterou que ficará fora do projeto.

“Se ele está com eles, eu não estou nesse projeto. Não vou fazer parte. Eu não acredito nesse grupo”, afirmou.

Abilio também contestou a interpretação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus familiares apoiariam a candidatura de Janaina Riva ao Senado em razão da coligação entre PL e MDB.

Segundo o prefeito, Bolsonaro havia firmado um entendimento com Valdemar Costa Neto para a definição das candidaturas em Mato Grosso. Pelo acordo relatado por Abilio, o ex-presidente escolheria o candidato ao Senado, enquanto o dirigente nacional do PL definiria o nome para o Governo.

“O Bolsonaro escolheu José Medeiros para o Senado e o Valdemar decidiu que seria o Wellington. Ponto. Não tem o presidente Bolsonaro, a Michelle, nem o Flávio apoiando a Janaina Riva. Existe agora uma coligação, mas não existe o apoio”, declarou.

Abilio afirmou não saber quem articulou a composição entre PL e MDB. Mesmo integrando o partido de Wellington, ele deixou claro que pretende fazer uma campanha paralela, sem dividir o palanque com os integrantes da nova aliança.

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