ACHA MUITO ESTRANHO
Abilio diz que vazamento “prejudicou muito a seriedade” de operação contra ex-governador
Patrícia Neves e Renato Ferreira
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticou o suposto vazamento antecipado de informações sobre a Operação Heritage, da Polícia Federal, que teve como alvo o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) na quinta-feira (6). Segundo ele, a divulgação prévia de detalhes da ação “prejudicou muito a seriedade da operação” e pode ter dado caráter político ao episódio em pleno período eleitoral.
Abilio afirmou que não questiona a atuação da Polícia Federal nem a necessidade de investigação sobre as suspeitas envolvendo o acordo milionário relacionado aos créditos da Oi. A crítica, segundo ele, é direcionada à circulação antecipada de informações sobre a operação.
“Eu acho que a investigação é o papel da Polícia Federal de fazer mesmo. Ela tem que investigar qualquer acusação ou denúncia que entenda que deve ser investigada. Agora, o que eu entendo de ruim para esse processo é o vazamento até da data”, declarou.
Segundo o prefeito, pessoas já falavam publicamente sobre a possibilidade da operação antes do cumprimento das medidas.
“Parece que alguém já dizia que a operação ia acontecer até o dia 5. Estavam dando várias entrevistas falando que ia acontecer. Ninguém quer fazer uma operação com data marcada, hora marcada e avisada para todo mundo. Isso prejudica o processo”, afirmou.
Abilio disse ainda que o repasse antecipado de informações pode ter prejudicado o trabalho dos investigadores.
“Quem conduziu esse processo ao passar informações, imagino que informações privilegiadas da circunstância, ou transformar isso em um ato político, acabou prejudicando todo o trabalho da investigação”, disse.
Questionado se adversários políticos de Mauro Mendes poderiam ter participação no episódio, Abilio evitou apontar nomes e disse não ter elementos para fazer esse tipo de acusação.
“Eu não posso afirmar. Mas quem saiu falando que já aconteceria no dia 5, que aconteceria tal hora, já falaram até como seria. Agora, quem foi que fez isso? Quem orientou? Não posso afirmar. Não tenho conhecimento sobre isso. Só acho que isso prejudicou muito a seriedade da operação”, declarou.
O prefeito também comparou o caso a investigações envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que ações realizadas durante períodos eleitorais podem provocar desgaste político mesmo quando os processos não avançam posteriormente.
“Eu lembro do Bolsonaro, que passou por situações como essa em 2022 e também em outras ocasiões. Durante o período eleitoral vão lá, fazem a operação, criam aquele discurso, aquela narrativa, e depois passam as eleições, o processo é arquivado e não vira nada”, afirmou.
Apesar das críticas, Abilio disse não saber se houve qualquer articulação política para provocar a operação.
“Quem são os mandantes desse processo? Não sei dizer nem se tem mandante”, ponderou.
Ao ser questionado sobre o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), Abilio também evitou relacioná-lo diretamente a qualquer motivação política. Ele citou uma suposta proximidade do ex-governador Pedro Taques com o ministro, mas ressaltou não ter conhecimento sobre eventual interferência no caso.
“Eu sei que o Pedro, se não me engano, tem um relacionamento muito próximo dele. Agora, eu não sei se o Flávio Dino tem esse posicionamento. Eu não conheço ele e não posso afirmar isso”, disse.
Sobre os possíveis reflexos eleitorais da Operação Heritage, Abilio afirmou que caberá ao eleitor avaliar os fatos.
“Eu acredito que o eleitor hoje está mais consciente sobre tudo isso e vai analisar bem essa questão das eleições deste ano. Como ele vai reagir em relação a essa situação, só o tempo vai poder dizer”, completou.



