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“A internet não é terra sem lei”, diz delegado após operação contra suspeito de aliciar menina

Gustavo Castro

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A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta sexta-feira (14), três ordens judiciais contra um homem investigado por aliciar uma menina de 11 anos pelo Instagram. O suspeito teria enviado uma foto do próprio órgão genital à criança e solicitado imagens íntimas dela. A ação ocorreu em São Jorge D’Oeste, no Paraná.

A quarta fase da Operação CESI-MT foi conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), de Mato Grosso, com o apoio da Polícia Civil paranaense.

Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão domiciliar e uma ordem de afastamento de sigilo telemático. As medidas foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo de Garantias do Polo de Cuiabá, após parecer favorável do Ministério Público.

Segundo o delegado da DRCI Guilherme da Rocha, o investigado utilizava as redes sociais para abordar crianças, enviar imagens íntimas e exigir que as vítimas também encaminhassem fotografias.

“Esses objetos agora serão encaminhados para a Delegacia de Crimes Informáticos de Mato Grosso, para que sejam analisados e periciados e para que a investigação seja concluída”, explicou.

O caso começou a ser investigado depois que a Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica) recebeu a denúncia de que uma menina de 11 anos estava sendo abordada por um homem no Instagram.

Durante as conversas, o suspeito perguntou a idade da criança e demonstrou interesse em enviar e receber fotografias íntimas. Ao perceber a situação, a mãe da menina pegou o celular e passou a responder às mensagens como se fosse a filha.

O homem perguntava constantemente se algum adulto tinha acesso às conversas e se poderia realizar chamadas de vídeo com a menina. Em seguida, pediu que ela enviasse fotos “sexies”. Mesmo após receber uma resposta negativa, ele encaminhou uma imagem do próprio órgão genital para a conta da criança.

Após os procedimentos iniciais realizados pela Deddica, o caso foi encaminhado à DRCI. Com o avanço das investigações, os policiais identificaram o suspeito e descobriram que ele morava em São Jorge D’Oeste. A apuração também apontou que o investigado possui passagem anterior por abuso sexual.

Durante as buscas desta sexta-feira, foram apreendidos aparelhos eletrônicos e outros dispositivos utilizados para armazenar conteúdos digitais. O material será periciado para confirmar os fatos, identificar possíveis novas vítimas e verificar se houve a participação de outras pessoas.

O delegado reforçou a importância de os responsáveis acompanharem o comportamento de crianças e adolescentes nas redes sociais e denunciarem qualquer situação suspeita.

“A internet não é uma terra sem lei que garante anonimato ou irresponsabilidade pelo que é feito. Ações como a de hoje buscam responsabilizar criminosos que, achando que estão protegidos, cometem crimes contra crianças e adolescentes”, afirmou Guilherme da Rocha.

O investigado poderá responder pelo crime previsto no artigo 241-D do Estatuto da Criança e do Adolescente, que pune quem alicia, assedia, instiga ou constrange uma criança, por qualquer meio de comunicação, com a finalidade de praticar ato libidinoso.

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