ATAQUES
Pivetta tenta colar Wellington ao PT e senador reage com ataques à gestão
Muvuca Popular
O primeiro debate com os seis candidatos ao Governo de Mato Grosso virou palco para um acerto de contas político entre Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes (PL). Em meio a ataques, acusações e sucessivos pedidos de direito de resposta, os dois protagonizaram os confrontos mais duros desta terça-feira (1º) e deixaram expostas as estratégias que devem marcar a disputa pelo Palácio Paiaguás.
Pivetta escolheu o passado de Wellington como principal alvo. Em diferentes momentos, buscou associar o senador aos governos do PT, à gestão de Dilma Rousseff, ao Dnit e ao ex-governador Silval Barbosa. A ofensiva teve um objetivo político evidente: confrontar a atual imagem de direita de Wellington, hoje filiado ao PL, com as alianças construídas por ele ao longo de mais de três décadas na política.
Wellington respondeu mirando diretamente o governo do qual Pivetta faz parte. Cobrou os passivos da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores, questionou gastos públicos e citou investigações e operações policiais que atingiram áreas ou negócios relacionados ao Estado. Também mencionou os casos envolvendo Oi e Banco Master.
O choque ficou mais evidente quando Wellington acusou o governo de ter dinheiro para grandes projetos, mas não para quitar perdas cobradas pelos servidores.
“Tem bilhões para construir parques, uma roda-gigante de R$ 70 milhões, mas não tem para pagar RGA. Servidor para mim não é gasto, é investimento”, atacou.
Pivetta não respondeu apenas sobre a RGA. Preferiu devolver a cobrança olhando para a trajetória do adversário.
“O senhor lembra como era o Estado quando o senhor participava do governo. Foi parceiro do Silval Barbosa e fazia grandes negócios. No governo da Dilma mandou no Dnit e o senhor vem falar em moralidade?”, disparou.
Wellington reagiu e conseguiu direito de resposta. “Quem foi sócio do Silval foi o governador que estava com ele. Eu nunca fui delatado”, declarou.
PT e Dnit viram munição contra Wellington
A tentativa de aproximar Wellington dos antigos governos petistas apareceu repetidamente no debate. Pivetta explorou especialmente a influência política do senador no Dnit durante administrações anteriores.
O assunto também foi levantado por Rafaell Milas, que, ao discutir a situação das rodovias, afirmou que havia candidato no palco que “mandou no Dnit no governo do PT”.
Pivetta aproveitou o tema para voltar à carga e relacionou os problemas históricos da BR-163 à antiga condução do órgão federal.
A estratégia irritou Wellington, que passou a acusar adversários de atuarem para favorecer Pivetta. Em determinado momento, chamou Milas de “candidato de aluguel”.
Milas respondeu com uma das provocações mais duras do encontro ao chamar Wellington de “melancia”, numa referência à tentativa de retratá-lo como alguém que se apresenta como candidato de direita, mas carrega ligações históricas com governos de esquerda.
“A semelhança com melancia vai longe, porque você mente demais”, atacou Milas.
Wellington rebateu dizendo que está há 32 anos na política, que nunca foi condenado e que os adversários tentavam desgastá-lo porque estaria bem posicionado na disputa eleitoral.
“32 anos sugando o povo”
O confronto entre Pivetta e Wellington atingiu um dos momentos de maior tensão na reta final. Ao ser questionado pelo senador sobre acusações feitas durante a campanha, Pivetta abandonou qualquer tentativa de conciliação e partiu para o ataque pessoal à longevidade política do adversário.
“Eu tenho a consciência tranquila e fé no futuro e é isso que me mantém na política. Eu ajudei a construir a cidade de Lucas, Nova Mutum, ajudei Mauro com muita dedicação. Mauro foi um grande governador, mas eu serei melhor do que ele, porque tenho coragem e disposição, diferente do senhor que ficou 32 anos sugando o povo de Mato Grosso”, afirmou.
Wellington reagiu imediatamente.
“Em 32 anos eu trabalhei por todos os municípios. Ele queria ganhar por WO”, respondeu.
Pivetta continuou.
“Eu sempre fui livre. Eu nunca fiz noitadas em Brasília para fazer lobby, negócios, indicar gente no Dnit. Eu nunca fiz nada disso.”
Wellington mira problemas do governo
Se Pivetta tentou obrigar Wellington a responder pelo passado, o senador buscou fazer o governador responder pelo presente.
Além da RGA, Wellington explorou denúncias e investigações mencionadas durante o programa, problemas em obras e suspeitas envolvendo a administração estadual. Em confronto sobre infraestrutura, criticou a qualidade do asfalto da MT-170 e afirmou que, caso eleito, pretende investir em rodovias de concreto.
“Esse governo resolve federalizar a estrada e fazer um asfalto esfarelado”, criticou.
Na sequência, elevou novamente o tom contra a administração.
“Eu não tenho nenhum processo, diferente do atual governo, que tem o caso Oi e Banco Master. Estão envergonhando nosso Estado”, declarou.
As acusações feitas pelos candidatos durante o debate foram apresentadas como parte do confronto eleitoral e não significam, por si só, comprovação de irregularidades.
Educação também vira campo de batalha
Até mesmo a educação terminou capturada pelo duelo.
Pivetta usou os indicadores do setor para defender a atual gestão e afirmou que Mato Grosso saiu da 22ª colocação para a sexta posição nacional.
“Nós saímos da 22ª posição para a sexta. É inegável que a educação está no caminho certo”, sustentou.
Wellington respondeu questionando a qualidade dos investimentos e mencionou denúncias envolvendo livros didáticos, merenda e creches.
“Muito pouco com tanto dinheiro”, rebateu.
Natasha critica “baixaria”
Enquanto Pivetta e Wellington concentravam os principais ataques, Natasha Slhessarenko (PSD) tentou se apresentar como alternativa à polarização.
A candidata defendeu industrialização, políticas de distribuição de renda, reforço da segurança pública e maior enfrentamento às facções criminosas. Também colocou a violência contra a mulher no centro de suas intervenções.
Natasha propôs criar uma espécie de “Ficha Suja Maria da Penha” para impedir que agressores de mulheres ocupem cargos públicos. Pivetta concordou com a proposta e afirmou que poderia incorporá-la.
A candidata, porém, criticou a atuação do atual governo na área e lembrou os elevados índices de feminicídio registrados em Mato Grosso.
Já no último bloco, diante da escalada das agressões entre os adversários, Natasha criticou o nível do confronto.
“Quero pedir desculpa por todos os candidatos por causa dessa baixaria. Viemos aqui para falar de propostas”, afirmou.
Ela também prometeu pagar a RGA dos servidores, realizar concursos públicos e ampliar ações voltadas à saúde mental do funcionalismo.
Laudicério chora ao falar da mãe
Sargento Laudicério (Agir) concentrou suas críticas na segurança pública, saúde e valorização dos servidores.
O momento mais emocional ocorreu quando relatou que sua mãe perdeu a visão e atribuiu o episódio à negligência do poder público.
“A saúde não espera, não pode ser burocrática”, afirmou.
Em seguida, chorou e responsabilizou políticos que ocupam cargos públicos há anos pela situação enfrentada pela população.
“A deficiência da minha mãe, todos vocês são coautores. Porque vocês estão aí há anos. Vocês são todos covardes”, disse.
Laudicério também pressionou Wellington sobre a possibilidade de deixar o Senado antes do fim do mandato para assumir o Governo do Estado. O senador respondeu que está preparado e tem experiência para governar, mas o candidato insistiu na cobrança.
Fundo eleitoral e incentivos entram na mira
Maurício Coelho (Mobiliza) direcionou seus ataques principalmente ao financiamento público das campanhas e aos incentivos fiscais concedidos pelo Estado.
Ao falar sobre o fundo eleitoral, citou valores destinados às campanhas dos adversários e atacou o uso de dinheiro público na disputa.
“Toda vez que você estiver na rua e ver um adesivo do Wellington, do Pivetta, da Natasha, quando você ligar a televisão e ver um comercial deles, lembra: é você quem está pagando”, afirmou.
Maurício também questionou Pivetta diretamente sobre benefícios fiscais e perguntou se empresas ligadas ao governador recebem incentivos do Estado.
Pivetta defendeu a política de incentivos como ferramenta para atrair empresas e industrializar Mato Grosso e afirmou pagar R$ 150 milhões em impostos por ano.
Maurício acusou o governador de não responder objetivamente à pergunta e prometeu revisar as renúncias fiscais.
Milas parte para cima
Rafaell Milas também adotou postura ofensiva. Além dos ataques a Wellington, criticou o sistema de emendas parlamentares e defendeu mudanças na saúde e na segurança.
Na saúde, prometeu digitalizar o atendimento, criar prontuário único vinculado ao CPF e utilizar inteligência artificial na regulação de exames e no controle de estoques.
Na segurança, propôs a construção de um presídio de segurança máxima que batizou de “Inferno Pantaneiro”.
Milas ainda confrontou Natasha sobre aliados políticos e questionou Wellington sobre pessoas que passaram por sua estrutura política. As discussões provocaram novos pedidos de direito de resposta.
Ao fim do encontro, propostas dividiram espaço com uma sucessão de ataques.



