FÉ E POLÍTICA - VEJA VÍDEO
“Deus pode contar com você?” Fiéis são reunidos na Igreja Universal para distribuir material de candidato de MT
Nickolly Vilela
Uma gravação feita na noite desta quarta-feira (2), na lateral da Igreja Universal do Reino de Deus, na região da Prainha, no Centro de Cuiabá, mostra centenas de fiéis sendo orientados a atuar na distribuição de material eleitoral em favor de Eduardo Magalhães, do Republicanos, vereador e candidato a Deputado Federal. A reunião foi realizada fora do templo e, no próprio áudio, o responsável pela mobilização admite que o pedido não poderia ser feito dentro da igreja.
“Eu não posso fazer esse pedido lá dentro da igreja. Se eu fizer esse pedido dentro da igreja, tem problema. Então tem que ser aqui”, afirma o homem diante do grupo.
A fala revela que a estratégia não se limitava à entrega de santinhos. Os presentes são orientados a ampliar a campanha entre familiares, colegas de trabalho e funcionários. Em um dos trechos, o interlocutor se dirige diretamente a quem possui empresa.
“Você tem sua empresa, fala com seus funcionários, reúne eles, passa para eles a seriedade”, diz.
O pedido é feito em meio a um discurso religioso. O homem apresenta o nome do Eduardo Magalhães e do também candidato Alex Sandro (Republicanos). Na gravação, o locutor os define como pessoas ligadas à fé, diz que não recebe dinheiro pela mobilização e associa a participação dos fiéis à “obra de Deus”.
“Eu não estou ganhando nada. Nada. Zero. Mas eu estou pedindo a você porque é para a obra de Deus”, afirma.
Em seguida, ele reforça o apelo ao grupo: “Deus pode contar com você?”. A fala termina com uma oração, pedidos de proteção aos participantes e, logo depois, com a orientação para que os fiéis retirem o material que seria distribuído.
A mobilização foi montada do lado de fora da igreja, mas a gravação indica que os participantes haviam acabado de sair do ambiente religioso e foram reunidos para receber instruções sobre a campanha.
A legislação eleitoral proíbe propaganda em templos religiosos, que são considerados bens de uso comum para fins eleitorais. A norma busca impedir que espaços destinados à prática religiosa sejam utilizados como estrutura de campanha.
Outro ponto sensível está na orientação para que empresários reúnam funcionários e defendam candidaturas no ambiente de trabalho. A Justiça Eleitoral também veda práticas de assédio eleitoral, quando há pressão, constrangimento ou uso da relação de trabalho para influenciar o voto.
Até o momento, não há informação sobre eventual representação formal contra Eduardo Magalhães ou contra os responsáveis pela mobilização, que deve ser levado à justiça eleitoral.
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