Setembro costuma ser tratado por muitas empresas como apenas mais um mês no calendário. Em 2026, pensar assim pode custar caro. Este é o último período disponível para preparar as campanhas da Black Friday, do Natal e do encerramento do ano. O desafio será maior porque o último trimestre comercial vai coincidir com as eleições.
A propaganda eleitoral já está em plena atividade, o horário eleitoral gratuito será exibido até 1º de outubro e o primeiro turno acontecerá no dia 4 de outubro. Isso significa mais mensagens circulando e uma disputa intensa pela atenção das pessoas.
No digital, empresas, candidatos, partidos e grandes anunciantes concorrem pelos mesmos espaços e pelo tempo do mesmo público. Com o aumento da concorrência, alcançar o consumidor tende a exigir mais investimento, melhor segmentação e campanhas eficientes. Quem começar tarde terá menos tempo para testar e poderá pagar mais caro para descobrir o que deveria ter sido validado antes.
O empresário precisa entender que o último trimestre não começa em outubro. Ele começa em setembro, quando ainda existe tempo para revisar estratégias, testar ofertas, organizar o atendimento e corrigir problemas que podem comprometer as vendas.
Deixar tudo para novembro é entrar na Black Friday tentando descobrir qual público alcançar, qual oferta apresentar e qual mensagem gera interesse. Antes de aumentar a verba, a empresa precisa verificar se o caminho entre o anúncio e a venda está funcionando: formulários, WhatsApp, CRM, atendimento e processo comercial. Uma campanha pode gerar muitos interessados e poucas vendas quando os leads ficam esquecidos ou o atendimento demora.
Também é o momento de analisar os resultados do ano: quais campanhas atraíram clientes com maior potencial, quais canais realmente produziram vendas e quais produtos têm margem, estoque e capacidade de entrega para receber uma campanha mais agressiva. A Black Friday não precisa significar desconto em tudo. Uma condição especial, um benefício adicional ou uma vantagem por tempo limitado podem ser mais inteligentes, desde que a proposta seja clara, atraente e sustentável.
Black Friday, Natal e encerramento do ano precisam ser planejados em conjunto. Quem concentra toda a verba e a capacidade operacional em novembro pode chegar a dezembro sem estratégia. Outra prioridade é construir públicos de remarketing antecipadamente. As pessoas impactadas em setembro podem não comprar imediatamente, mas formam uma audiência que poderá ser trabalhada quando as ofertas mais fortes entrarem no ar.
O planejamento deve considerar ainda a capacidade de atendimento. Se o volume de oportunidades dobrar, a empresa terá estoque, equipe, agenda e estrutura para entregar o que foi anunciado? Marketing não pode prometer aquilo que a operação não consegue cumprir.
Aqui na agência, já estamos trabalhando com nossos clientes nesse sentido, revisando campanhas, ofertas, funis, integrações, CRM e processos comerciais para que tudo esteja testado antes do aumento da concorrência no último trimestre. A prioridade não é simplesmente anunciar mais, mas preparar cada empresa para transformar o crescimento da demanda em oportunidades bem atendidas e vendas reais.
O fim do ano pode representar a melhor temporada de vendas para muitas empresas. Mas o resultado não será decidido apenas pelo tamanho da verba investida. Será decidido pela qualidade da preparação realizada antes de a concorrência ficar ainda maior.
*Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS.



