“CARNE E UNHA”
Abilio diz que Lula não enfrentará Moraes e cobra senadores “livres” para investigar STF
Muvuca Popular
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deverá apoiar qualquer medida contra o ministro Alexandre de Moraes diante das recentes controvérsias envolvendo o integrante do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o gestor, Lula e parte dos ministros da Corte são “carne e unha” e estariam ligados ao mesmo “projeto de poder”.
A declaração foi dada ao comentar um vídeo no qual Lula se manifestou sobre a repercussão dos novos desdobramentos relacionados a Moraes. Na avaliação de Abilio, o presidente adotou uma posição cautelosa e evitou fazer críticas ou acusações diretas.
“Se você assistir ao posicionamento dele, é um posicionamento em cima do muro, sem fazer nenhum ataque, nenhuma acusação e sem assumir uma posição. É natural que ele faça isso, tendo em vista que o Lula e alguns dos integrantes do Supremo são carne e unha, praticamente pessoas extremamente ligadas a um projeto de governo e a um projeto de poder”, afirmou.
Abilio citou o comentário de um jornalista segundo o qual Lula não poderia se afastar politicamente do STF porque teria uma dívida com a Corte em razão da eleição presidencial. O prefeito disse acreditar que essa relação explica a postura adotada pelo petista.
“Eu acredito que o Lula não fará nenhum tipo de posicionamento pedindo o afastamento do Alexandre ou que ele seja retirado de alguns casos. Não fará nada disso”, declarou.
O prefeito também criticou a reação dos ministros diante da repercussão pública e das reportagens divulgadas pela imprensa. Segundo ele, os integrantes do Supremo demonstram não estar preocupados com o desgaste provocado pelas denúncias e questionamentos.
“Eles não estão nem aí. Faz matéria, faz vídeo, o jornal fala, a imprensa fala, mas eles não estão nem um pouco incomodados”, disse.
Abilio ainda comentou o conflito entre Alexandre de Moraes e André Mendonça dentro do STF. Na interpretação do prefeito, Moraes teria agido estrategicamente ao levantar a suspeição de Mendonça em um dos inquéritos conduzidos pela Corte, numa tentativa de impedir possíveis avanços sobre assuntos que o envolvem.
“Quando o Supremo, enquanto instituição, começa a ter esse conflito interno entre ministros, é natural que tentem colocar panos quentes, abafar e acalmar a situação, porque o escalonamento disso é muito ruim para eles”, avaliou.
O gestor afirmou ainda que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), já teria sinalizado que nenhuma medida contra Moraes avançará neste momento. Para Abilio, o assunto deverá ser adiado até o próximo ano, após as eleições e a renovação de parte do Senado.
“Eles sabem que esse problema será escalado de uma forma muito mais forte no ano que vem. Por isso, estão colocando panos quentes e deixando para resolver a situação depois do processo eleitoral”, declarou.
Ao final, Abilio aproveitou o episódio para defender a eleição de senadores de direita que, segundo ele, não tenham vínculos políticos, familiares ou judiciais capazes de comprometer a atuação no Congresso. O prefeito argumentou que os futuros parlamentares precisam ter independência para analisar eventuais pedidos de investigação contra ministros do Supremo.
“Eu defendo os de direita, mas defendo principalmente os que são livres. Têm que ser de direita e livres para que possam se manifestar e se posicionar sobre isso”, disse.
Abilio ponderou que não defende uma perseguição aos ministros, mas considera necessária a abertura de instrumentos formais de apuração diante de fatos considerados graves.
“Não estou falando que tem que partir para cima de ministro do Supremo. A investigação é um instrumento que pode ser aberto. Não significa que ele será cassado ou condenado, mas serve para dar esclarecimentos à população. Isso seria o mínimo que poderia ser feito”, concluiu.



