DIÁLOGOS COM CANDIDATOS
“Os políticos não se aprofundam nos temas”, dispara Mauro ao prever perdas com reforma tributária
Muvuca Popular
O candidato ao Senado Mauro Mendes (União Brasil) criticou os efeitos da reforma tributária sobre Mato Grosso e afirmou que as mudanças aprovadas pelo Congresso Nacional poderão reduzir a competitividade e a arrecadação do estado. A declaração foi dada durante a sabatina promovida pela Aliança do Setor Produtivo, na tarde desta quarta-feira (9), em Cuiabá.
Mauro afirmou que a maioria da população ainda não conhece com clareza o conteúdo aprovado nem os impactos que a reforma terá sobre os estados. Segundo ele, durante a discussão do texto, chegou a alertar parlamentares sobre os riscos para Mato Grosso, mas ouviu que event organiseruais problemas poderiam ser corrigidos posteriormente.
“Até hoje, a grande maioria das pessoas não sabe direito o que foi aprovado e qual será o impacto. Naquele momento, ouvi de muitos parlamentares: ‘Para com isso, você não vai ser governador a vida inteira’. Eu dizia: ‘Isso vai dar problema’. E respondiam: ‘Deixa dar problema lá na frente, depois conserta’”, relatou.
Na avaliação de Mauro, a reforma apresenta vantagens expressivas para os setores exportadores ao reduzir a carga tributária incidente sobre as exportações. O problema, segundo ele, está nos efeitos sobre as empresas que atuam no mercado interno e dependem de incentivos para compensar os custos logísticos.
“A reforma é extremamente boa e saudável para os exportadores. Quem exporta neste país terá ganhos gigantescos com a redução da carga tributária”, afirmou.
Mauro explicou que estados distantes dos principais mercados consumidores, como Mato Grosso, utilizam benefícios fiscais para atrair empresas, estimular a industrialização e compensar as despesas com o transporte de produtos e matérias-primas.
Com a reforma, na avaliação do candidato, Mato Grosso, o Centro-Oeste e o Nordeste poderão perder parte dessa vantagem competitiva. Enquanto isso, os estados das regiões Sul e Sudeste, mais próximos dos grandes centros de consumo, seriam beneficiados pela nova organização tributária.
“Nós tínhamos uma redução tributária para compensar os custos logísticos de um estado mais distante. A reforma retira esse diferencial competitivo que muitos estados do Centro-Oeste e do Nordeste possuíam”, declarou.
O candidato também criticou a forma como temas complexos são analisados no Congresso. Segundo ele, parte dos parlamentares não se aprofunda nos efeitos econômicos das propostas antes de aprová-las.
“Os políticos brasileiros, de maneira geral, não mergulham em profundidade nos temas. Nos últimos anos, a política no Brasil ficou muito rasa. O político faz um discurso, elege-se e depois não entrega aquilo que prometeu”, disse.
Mauro afirmou ainda temer uma redução significativa das receitas públicas. Para ele, se os exportadores forem amplamente desonerados, outros setores poderão acabar pagando mais para financiar uma estrutura pública cujo custo continua crescendo.
“Tenho muito medo de errar, mas isso vai provocar um grande processo de diminuição da receita. Se os exportadores não vão pagar, quem vai pagar mais para custear a máquina pública, que aumenta dia após dia?”, questionou.
Segundo o candidato, os efeitos negativos podem não aparecer imediatamente, mas deverão ser percebidos ao longo dos próximos anos. Mauro defendeu que o Congresso aprofunde a? a análise da regulamentação para evitar perdas aos estados produtores e distantes dos principais centros consumidores.



