POUCO DINHEIRO
Abilio critica aumento do Bolsa Família e ironiza: “R$ 91 não dá para nada”
Gustavo Castro e Renato Ferreira
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), criticou o reajuste de R$ 91 anunciado pelo Governo Federal para o Bolsa Família e afirmou que a medida tem viés eleitoral. O benefício mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio pago às famílias deverá subir de R$ 675 para R$ 777.
A declaração foi dada na noite de quinta-feira (17), no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, durante o Encontro da Direita, realizado pelo candidato ao Senado Zé Medeiros (PL).
Para Abilio, o reajuste anunciado às vésperas das eleições demonstra uma tentativa do governo de obter vantagem política com o programa. O prefeito ainda ironizou o valor do aumento e afirmou que, se a intenção seria conquistar o eleitorado, o governo deveria ter elevado o benefício para R$ 850.
“Acho que é a questão eleitoreira, mas que pelo menos fizessem bem feito, né? O cara às vésperas da eleição aumentar R$ 91!! Isso é muito pouco. Já que vai tentar comprar o voto do eleitor com o aumento do Bolsa Família, pelo menos que aumente para R$ 850, R$ 91 não dá para comprar uma cesta básica”, alfinetou.
Abilio também questionou a atuação dos órgãos de fiscalização e afirmou que medidas semelhantes adotadas por governos de oposição poderiam receber tratamento diferente.
Além da crítica ao reajuste, o prefeito defendeu mudanças nas regras do Bolsa Família para que beneficiários possam ingressar no mercado de trabalho sem perder imediatamente o auxílio.
“Aproveita e já altera o Bolsa Família para que a pessoa que quer trabalhar não perca [o benefício]. Deixa a pessoa trabalhar e ter o Bolsa Família como auxílio de sobrevivência. E também eu até falo do BPC, que é para a pessoa com deficiência: a pessoa que vai trabalhar perde o BPC, então pelo menos mude essas regras”, defendeu.
Críticas à esquerda
Durante o discurso, Abilio também afirmou que a esquerda vem perdendo espaço político em regiões tradicionalmente associadas ao campo progressista, como o Nordeste.
Na avaliação do prefeito, a população estaria cansada e o crescimento do agronegócio teria contribuído para mudanças no cenário político dessas regiões.
O reajuste do Bolsa Família foi anunciado 17 dias antes das eleições. Segundo o Governo Federal, a correção de 15% tem como objetivo recompor parte da perda do poder de compra provocada pela inflação acumulada desde o último aumento, em 2023.
Com a atualização, o benefício mínimo passa de R$ 600 para R$ 691. O valor médio deverá chegar a R$ 777, já que o programa prevê pagamentos adicionais conforme o número e o perfil dos integrantes de cada família, incluindo crianças, adolescentes e gestantes.
Ação no TSE
Também na noite de quinta-feira (17), o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o reajuste.
A ação pede a suspensão da medida até o próximo ano, sob o argumento de que o aumento poderia comprometer a isonomia e a paridade entre os candidatos durante o período eleitoral.
O Governo Federal nega motivação eleitoral e sustenta que o reajuste é uma correção do benefício diante da inflação acumulada desde 2023.



