BATEU DE FRENTE
Medeiros escanteia Fagundes de evento, enquanto prefeitos do PL exibem apoio a Pivetta
Renato Ferreira/Patrícia Neves
O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) foi escanteado do evento de José Medeiros (PL), realizado na noite desta quinta-feira (17), e sequer recebeu convite para participar do encontro. A ausência ganhou ainda mais peso político com a presença dos prefeitos de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, e de Primavera do Leste, Sérgio Machnic, ambos filiados ao PL, mas declaradamente alinhados à candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) ao Palácio Paiaguás.
Cláudio tornou a dissidência explícita ao comparecer com adesivos de Pivetta e do candidato ao Senado Mauro Mendes (União) colados ao peito. Medeiros, que também disputa uma das duas vagas ao Senado, seria a opção do prefeito para o segundo voto. Machnic também esteve no evento, mas não usava adesivo do republicano.
O cenário revelou, mais uma vez, a divisão instalada no partido. Enquanto Wellington tenta consolidar sua candidatura ao governo como representante oficial do PL, parte das principais lideranças municipais da sigla atua abertamente em favor de Pivetta. O republicano conta com o apoio de mais de 130 prefeitos, incluindo gestores liberais que optaram por sua candidatura em detrimento do projeto de Wellington.
A ausência de convite ao candidato do próprio partido ampliou o simbolismo político do encontro. Wellington ficou fora de uma agenda protagonizada pelo candidato do PL ao Senado, enquanto prefeitos ameaçados de expulsão por apoiar um adversário foram recebidos no evento. A imagem de Cláudio com Pivetta no peito expôs a dificuldade da legenda para manter alguma unidade na reta final da disputa eleitoral.
O prefeito de Rondonópolis chegou a ser destituído da presidência municipal do PL depois de anunciar apoio a Pivetta. Apesar das advertências e da possibilidade de expulsão, os dois não recuaram e continuam participando de agendas políticas vinculadas ao candidato do Republicanos.
Questionado sobre eventuais punições, Cláudio adotou um discurso de enfrentamento e afirmou que os detentores de mandato devem seguir a vontade da população, e não necessariamente as decisões tomadas pela cúpula partidária.
“A preocupação de todo mandatário deve ser essa. Quem passa pelo crivo da eleição sabe disso. A gente tem que se preocupar com a vontade das pessoas. Qual é a vontade das pessoas?”, declarou.
O prefeito também rejeitou a tentativa de impor apoio político por meio de ameaças ou punições. “Nós vivemos numa democracia. Vamos deixar as pessoas escolherem livremente. A gente não pode querer impor pela força nem pela violência. Jamais. A gente vive em uma democracia”, completou.



