Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, levava uma vida de luxo em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, enquanto era procurada pela Justiça brasileira. Segundo a Polícia Civil, a foragida morava em uma casa de alto padrão, com piscina, e passou por mais de cinco procedimentos estéticos, inclusive no rosto, em uma possível tentativa de mudar a aparência e evitar ser reconhecida. Ela foi capturada na noite de terça-feira (22).
“Ela vivia vida de luxo, uma casa extremamente luxuosa em Santa Cruz de La Sierra, com piscina e tudo mais. Então, o lucro dos valores do tráfico era revertido em favor dela, em favor da vida que ela vivia lá”, afirmou o delegado Victor Hugo Freitas, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).
Angeliquinha estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Desde então, as investigações acompanhavam os passos da criminosa e apontavam que ela havia deixado Mato Grosso em direção à Bolívia.
Durante o período em que permaneceu escondida, Angeliquinha realizou procedimentos estéticos que, conforme a Polícia Civil, podem ter sido feitos para dificultar sua identificação.
“Identificamos a localização dela em Santa Cruz de La Sierra desde a fuga. Procedimentos estéticos, provavelmente, ela tentava alterar a feição para que não fosse reconhecida. Até nas fotos que foram divulgadas, ela tem curativos nesse sentido”, explicou o delegado.
Além das mudanças na aparência, Angeliquinha utilizava um documento brasileiro falso em nome de outra pessoa. As informações reunidas pelos investigadores e compartilhadas previamente com as autoridades bolivianas, porém, permitiram confirmar a identidade dela durante a abordagem.
A captura ocorreu em uma ação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da GCCO/Draco e da Gerência Estadual de Polinter (Gepol), com a Polícia Boliviana.
Angeliquinha, de 34 anos, é apontada como uma das principais lideranças de uma facção criminosa com atuação no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e municípios da região.
Segundo as investigações, ela exercia influência sobre o tráfico de drogas, circulação de armas e extorsões em áreas de garimpo, além de ser investigada como mandante de homicídios relacionados à atuação da facção.
A criminosa possui seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo de 2026, e acumula mais de 260 anos em condenações por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa.
Em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para atingir o núcleo familiar que, segundo as investigações, dava suporte às atividades criminosas e auxiliava na lavagem do dinheiro obtido pelo grupo.
Entre os alvos estavam o pai, a filha e o genro de Angeliquinha. As investigações identificaram movimentações superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses, valores considerados incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Segundo a Polícia Civil, empresas e outros negócios eram utilizados para dar aparência de legalidade aos recursos provenientes das atividades criminosas. A operação cumpriu 31 ordens judiciais, incluindo prisões, buscas, bloqueios de contas e sequestros de veículos e imóveis.
Após a captura, Angeliquinha permanece à disposição das autoridades bolivianas. Como foi encontrada com documentação falsa, serão realizados os procedimentos legais para deportação. Depois, ela deverá ser entregue às autoridades brasileiras, recambiada para Mato Grosso e retornar ao sistema penitenciário.



