IMPACTO NOS TIMES DE MT
Lula promete acabar com as bets e medida pode atingir até patrocínio do futebol de MT
Bebeto Dias
A promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de acabar com as bets no Brasil colocou o futebol em alerta e pode ter reflexos até nas competições de Mato Grosso. Desde 2026, os Campeonatos Mato-grossenses das 1ª e 2ª Divisões contam com investimento da Superbet, em acordo que destina cerca de R$ 600 mil ao futebol estadual.
Durante evento de campanha no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (23), Lula afirmou que pretende acabar com as apostas on-line e que os clubes precisarão encontrar outras formas de financiamento. O presidente relacionou sua posição principalmente aos efeitos sociais das apostas e ao endividamento provocado pelo jogo. O formato da eventual medida, porém, ainda está sendo discutido pelo governo.
Em Mato Grosso, o impacto dependeria do alcance de uma eventual mudança na legislação. Pelo acordo firmado para 2026, cada participante da elite estadual recebe R$ 35 mil, enquanto os clubes da 2ª Divisão ficam com R$ 25 mil. O contrato também contempla exposição publicitária durante as partidas e no entorno dos gramados.
No cenário nacional, a dependência financeira é ainda maior. Clubes brasileiros argumentam que a retirada das empresas de apostas do futebol poderia representar cerca de R$ 1 bilhão em perdas anuais com patrocínios. A reação ocorre enquanto o governo avalia alternativas que podem variar de novas limitações à publicidade até medidas mais abrangentes contra as apostas on-line.
O debate também envolve a arrecadação pública. Em 2025, primeiro ano completo do mercado regulamentado, as empresas de apostas recolheram aproximadamente R$ 9,95 bilhões em tributos federais. A conta inclui a tributação sobre a receita bruta dos jogos, além de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A alíquota específica sobre o GGR passou de 12% para 13% em 2026 e está prevista para chegar a 15% em 2028.
Para operar legalmente, as empresas também precisaram pagar R$ 30 milhões por autorização federal. Autorização que é válida por cinco anos e serve para até três bets.
Assim, uma eventual proibição ampla teria efeitos que iriam além dos grandes contratos de Flamengo, Corinthians e outros clubes da Série A. O futebol de Mato Grosso também entrou na era dos investimentos das bets, e qualquer mudança que alcance os patrocínios esportivos poderá obrigar federações, competições e clubes a buscar novas fontes de receita.



