quinta-feira, 8 outubro, 2026

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SAFRA 2026/27

Falta de chuva ameaça plantio da soja e acende alerta para segunda safra de milho em MT

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Foto: Divulgação Famato

A irregularidade das chuvas tem provocado diferenças no ritmo do plantio da soja 2026/27 no norte de Mato Grosso. Enquanto produtores de alguns municípios projetam produtividade de até 80 sacas por hectare, outros enfrentam dificuldades na germinação, interrupção da semeadura e risco de replantio. O cenário também preocupa agricultores que dependem do calendário da soja para garantir o cultivo do milho na segunda safra.

O levantamento foi realizado pelo Notícias Agrícolas em propriedades rurais de Cláudia, União do Sul, Santa Carmem e Tabaporã. Apesar das perspectivas favoráveis em parte da região, a distribuição irregular das precipitações tem provocado situações distintas entre lavouras relativamente próximas.

Em Cláudia, na Fazenda Boa Esperança, a família Canozo iniciou o plantio em 9 de setembro e mantém expectativa de colher, em média, 80 sacas por hectare. A propriedade possui 2,5 mil hectares e, durante a visita, havia concluído a semeadura de aproximadamente 20% da área. As condições de umidade foram consideradas favoráveis ao início dos trabalhos.

A produtividade também é determinante para a rentabilidade. Na propriedade, o custo direto de produção está estimado em 32 sacas por hectare, sem considerar despesas operacionais e administrativas.

Situação semelhante foi registrada em União do Sul, onde a Fazenda Mustang, com 4.080 hectares, havia semeado metade da área até 5 de outubro. As chuvas regulares favoreceram o avanço das máquinas, e a expectativa dos produtores também é alcançar produtividade média de 80 sacas por hectare.

Apesar das condições climáticas favoráveis, a presença da mosca-branca exige monitoramento das lavouras desde os primeiros estágios de desenvolvimento.

FALTA DE CHUVA PREOCUPA

Em Santa Carmem, o produtor Rudimar Ceni adotou uma estratégia mais cautelosa. Na Fazenda Dona Dozolina, de 3.920 hectares, a semeadura começou após a chegada das primeiras chuvas e ficou concentrada nas áreas com umidade suficiente para garantir a germinação.

A propriedade também aposta na diversificação do planejamento agrícola, com aproximadamente 70% da área destinada ao milho. O manejo inclui utilização de produtos biológicos para controle de pragas e ajustes na adubação, com objetivo de reduzir custos e preservar a produtividade.

O cenário mais preocupante foi encontrado em Tabaporã. Na Fazenda Passo Fundo, do produtor Roberto Kempf, a escassez de chuva obrigou a interrupção do plantio em parte da propriedade.

Nas áreas já semeadas, foram identificadas falhas na emergência das plantas e desenvolvimento desigual da soja. Caso as precipitações não sejam regularizadas, alguns talhões poderão precisar de replantio. A presença de percevejos também aumenta a preocupação com o desenvolvimento inicial da cultura.

RISCO PARA O MILHO

Além dos prejuízos potenciais à soja, o atraso na semeadura ameaça o calendário da segunda safra de milho, uma das principais atividades agrícolas de Mato Grosso.

Como o milho é cultivado após a colheita da soja, eventuais atrasos no primeiro plantio podem reduzir o período disponível para a segunda cultura. Isso aumenta a exposição das lavouras a condições climáticas desfavoráveis durante o desenvolvimento e a fase de enchimento dos grãos.

A preocupação é maior nas propriedades que dependem de uma colheita antecipada da soja para iniciar o cultivo do milho dentro da janela considerada adequada.

Outro fator acompanhado pelos agricultores é a possibilidade de influência do fenômeno El Niño sobre o regime de chuvas. Os produtores entrevistados afirmaram que monitoram as previsões meteorológicas e ajustam as operações conforme as condições de cada propriedade.

Mesmo diante das incertezas climáticas, os relatos apontam manutenção dos investimentos e busca por maior eficiência na produção, sem grandes planos de expansão neste início de temporada.

O levantamento mostra que a safra 2026/27 começa com potencial produtivo elevado em parte do norte mato-grossense, mas ainda depende da regularização das chuvas. Nas regiões onde a semeadura foi interrompida, os próximos dias serão decisivos para a implantação das lavouras e para o planejamento da segunda safra de milho.

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