Depois de deixar a cidade para assumir a propriedade da família, Jadson Fernando de Souza encontrou na atividade leiteira uma forma de permanecer no campo e dar continuidade ao sonho do avô. Há três anos, na Fazenda Boa Esperança, ele iniciou a produção com 12 vacas e 30 litros de leite por dia. Ao lado da esposa e dos três filhos, e com o acompanhamento da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), aprimorou o manejo do rebanho, a reprodução e o aproveitamento das pastagens, alcançando uma produção de 150 litros diários.
Aos 34 anos, Jadson não teve uma decisão fácil ao deixar a vida na cidade para assumir a propriedade da família. Sua relação com o meio rural começou na infância: o avô trabalhava com lavoura, o tio atuava na produção de leite e ele cresceu acompanhando essa rotina. Quando o avô adoeceu, surgiu a necessidade de assumir a propriedade, mas também a oportunidade de ficar mais perto da família e dar continuidade ao legado.
“Isso aqui é um sonho do meu vô. Ele sempre batalhou para ter um pedaço de chão e eu estou aqui para continuar um pedacinho dele. Eu abandonei tudo para estar aqui, dando continuidade ao que ele construiu. Mesmo ele estando na cidade, a vontade dele sempre foi estar aqui, então eu estou aqui para continuar esse sonho”, conta.
O início, porém, foi desafiador. Jadson precisou deixar uma vida já estabelecida na cidade e recomeçar praticamente do zero na produção de leite. Até então, o avô mantinha a área principalmente com o arrendamento de pastagens, e foi necessário reestruturar a atividade.
A situação financeira também exigiu cautela. Diante dos custos para iniciar e manter a produção, cada decisão precisava ser bem planejada. Foi nesse contexto que Jadson buscou a ATeG, por indicação de uma agropecuária parceira do Sindicato Rural, que o apresentou ao técnico de campo Danilo Oliveira. A partir daí, começou um acompanhamento que contribuiu para mudar a maneira como o produtor administrava a propriedade.
“Muita gente dá tiro no escuro, acha que é assim porque meu avô me ensinou assim ou porque tal pessoa fazia assim. Na verdade, não é. Se você não levar tudo na ponta da caneta, nada dá certo. A ATeG amplia o leque de visões diferentes para você crescer na vida”, relata Jadson.
As mesmas vacas, uma produção cinco vezes maior
Quando o acompanhamento da ATeG começou, Jadson tinha 12 vacas e produzia cerca de 30 litros de leite por dia. O manejo, a reprodução, a formação do rebanho e o aproveitamento do potencial dos animais estavam entre os desafios identificados. Com a assistência técnica, ele passou a receber orientações sobre manejo de pastagens, reprodução, ordenha, bem-estar animal e organização da atividade.
Os resultados vieram sem a necessidade de comprar novos animais. Com o mesmo rebanho que já possuía, o produtor elevou a produção para 150 litros de leite por dia, cinco vezes o volume inicial.
Para o técnico credenciado pelo Senar MT, Danilo Oliveira, o avanço demonstra a importância de adaptar as orientações à realidade de cada propriedade. Segundo ele, o trabalho começou com a identificação de problemas que impediam o melhor aproveitamento dos animais. Algumas vacas permaneciam secas por períodos prolongados, comprometendo a continuidade da produção. Com ajustes no manejo e na reprodução, foi possível melhorar o desempenho do rebanho e ampliar o volume de leite produzido.
“Quando eu pego uma propriedade e vejo que ela melhorou a produção, eu estou conseguindo fazer com que o produtor tenha a visão de que isso aqui é uma empresa e que ele pode ter lucro, pode continuar na atividade. Isso também abre os meus olhos para pensar no bem comum. A gente vê um produtor que se preocupa com a coleta de um leite com qualidade e pensa que isso daqui a pouco está na mesa dos meus filhos. Isso move muita gente”, afirma o técnico.
Uma nova rotina para toda a família
As mudanças também refletiram na vida familiar. A atividade rural aproximou Jadson da esposa, Camila Oliveira Lima, e dos três filhos: Gabriela, de 12 anos, Arthur, de 11, e Heitor, de 7.
Camila também tem ligação com o campo e hoje ajuda nas tarefas da propriedade, principalmente nos cuidados com os animais menores. Para ela, a mudança representou uma nova forma de viver, com mais contato com a natureza e convivência familiar.
“Eu gosto muito de animais, gosto de mexer com criação. Então, estando ele feliz, eu também estou, e eu gosto dessa vida. Para mim, a mudança foi fácil porque eu sempre gostei da natureza e dos animais. Fui aprendendo no dia a dia, e foi bom. A gente fica feliz. Se eu tivesse que definir essa propriedade, seria felicidade, sossego e amor”, relata Camila.
A família ainda está em fase de adaptação à nova realidade. Jadson continua trabalhando fora da propriedade para complementar a renda, enquanto busca ampliar a produção leiteira. O objetivo é que, gradualmente, a atividade se torne suficiente para sustentar a família.
Além das vacas, a propriedade começa a diversificar as criações, com galinhas, porcos, carneiros e pintinhos. A produção de leite, no entanto, continua sendo a principal atividade, com a entrega ao laticínio, que realiza a coleta a cada três dias.
A estrutura conta com um resfriador e um sistema de ordenha simples, mas funcional. Os filhos também ajudam quando podem, enquanto Camila busca aprender mais sobre a atividade para contribuir com o trabalho do marido. Para ela, fazer cursos e adquirir conhecimento são formas de fortalecer a produção e colaborar com o crescimento da propriedade.
“Ser produtor rural é prazeroso. Às vezes as pessoas na cidade não dão muito valor para a gente, mas a gente dá muito valor ao que faz aqui para chegar lá. O que fazemos aqui impacta na vida de muitas famílias, então é prazeroso saber que o nosso trabalho está levando alimento para outras pessoas”, declara Jadson.











