Dez trabalhadores da construção civil no município de Sorriso foram resgatados em condições degradantes de moradia: viviam dentro de um ônibus adaptado, infestado de baratas, sem vaso sanitário ou pia no banheiro, e com fiação improvisada exposta a riscos de choques e incêndios. O caso é um dos flagrantes que motivaram a entrada de novos empregadores de Mato Grosso na atualização da “Lista Suja” do trabalho escravo, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta terça-feira (6).
Além da ausência de higiene básica e privacidade, a fiscalização identificou que os operários enfrentavam calor extremo no veículo, falta de água potável, armazenamento inadequado de alimentos e pagamentos informais fora dos registros trabalhistas.
A nova atualização do Cadastro de Empregadores inclui 82 novos nomes em todo o país, dos quais quatro estão associados a ocorrências em Mato Grosso, abrangendo casos na construção civil em Sorriso, extração de lenha em Nova Maringá, pecuária em Nova Bandeirantes e atividades rurais em Alto Taquari. Ao todo, 553 trabalhadores foram submetidos a condições análogas à escravidão no lote mais recente de inclusões nacionais.
Atualmente, Mato Grosso conta com 12 empregadores ativos no cadastro. Somente em 2026, as ações de fiscalização no Estado já resultaram no resgate de 92 pessoas em situação de exploração.
Conforme o MTE, a permanência no cadastro público dura dois anos após a conclusão do processo administrativo com decisão definitiva. Embora a lista não imponha uma sanção direta, a divulgação pública gera severas restrições comerciais, de crédito e de reputação aos infratores.












