O advogado Alex Cardoso, responsável pela defesa do médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, afirmou que o profissional acumula mais de 25 anos de experiência, realizou milhares de procedimentos e nunca havia perdido uma paciente durante uma cirurgia. A manifestação ocorre após a morte de Lurdes Maria de Lima Pessoa Padilha, de 24 anos, na sexta-feira (16), durante uma cirurgia plástica no Hospital Geral e Maternidade, em Cuiabá.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Cardoso saiu em defesa do médico e afirmou que o histórico profissional de Euller apresenta índices de complicações muito inferiores aos registrados na literatura médica.
“Euller se trata de um profissional de altíssimo gabarito, com mais de 25 anos de experiência, com milhares de procedimentos realizados e o número de complicações de pacientes em suas mãos são ínfimos, são muito, muito, muito, muito aquém mesmo dos indicadores previstos em literatura para qualquer tipo de procedimento”, declarou.
O advogado também abordou a ausência do Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica no cadastro do médico junto ao Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT).
Segundo Cardoso, embora Euller não possua o registro que permite o reconhecimento formal da especialidade, sua experiência profissional, os cursos e a formação complementar lhe conferem conhecimento prático na área.
“Ainda que a legislação impeça de usar o termo especialista, e ele não faz, trata-se de um profissional especializado pela prática, pela experiência, pelos cursos, pela pós-graduação”, sustentou.
O RQE é o registro utilizado pelos conselhos de medicina para reconhecer formalmente a qualificação de um profissional em determinada especialidade. Euller possui inscrição regular no CRM-MT, mas não tem o registro de especialista em cirurgia plástica.
Investigação da morte
Lurdes Maria Padilha, que era casada e mãe de duas crianças, morreu enquanto passava por procedimentos de lipoaspiração e colocação de próteses mamárias, nesta sexta-feira (16). Durante a cirurgia, a paciente apresentou complicações e sofreu uma parada cardiorrespiratória.
Conforme manifestação anterior da defesa, a jovem havia realizado avaliações pré-operatórias e o procedimento ocorria em ambiente hospitalar, com equipe habilitada. Após uma intercorrência súbita, a cirurgia foi interrompida e os profissionais realizaram manobras de reanimação por aproximadamente duas horas, mas a paciente não resistiu.
A Polícia Civil instaurou um inquérito, conduzido pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), para apurar as circunstâncias da morte e verificar eventual ocorrência de falhas no atendimento médico e hospitalar.
A investigação aguarda os resultados dos exames periciais solicitados à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), incluindo a necropsia, que deverá contribuir para determinar a causa da morte.
Paralelamente, o CRM-MT anunciou a abertura de uma sindicância de ofício para analisar a atuação médica no caso. O procedimento tramitará sob sigilo, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
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