sábado, 17 outubro, 2026

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ESTADO DEVE SER EFICIENTE

Gallo prevê corte forte de gastos e não descarta até plano de demissão voluntária

Patrícia Neves e Renato Ferreira

O procurador do Estado e ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso, Rogério Gallo, afirmou que o governo deverá promover uma contenção forte de despesas para preservar os investimentos públicos. Escolhido pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para coordenar o diagnóstico da estrutura administrativa, ele conduz os estudos que deverão orientar a reorganização da máquina estadual para o próximo mandato.

“Agora, nesse próximo ciclo, a gente precisa fazer uma contenção forte, importante, traçar as estratégias em relação a quais áreas vão ser priorizadas”, declarou.

Segundo Gallo, o trabalho envolve um levantamento das despesas de funcionamento do governo e das possibilidades de economia. A intenção é preparar o Estado para perdas de arrecadação e manter a capacidade de investir em infraestrutura e serviços públicos.

Questionado sobre a possibilidade de um novo plano de demissão voluntária, o ex-secretário afirmou que a alternativa poderá ser considerada, desde que apresente resultados para as contas estaduais. Ressaltou, porém, que não há previsão de adoção imediata.

“Nada está descartado. Mas isso tudo está à mesa, estamos avaliando e, se fizer sentido, der o retorno esperado, pode ser uma possibilidade”, disse.

Gallo citou experiências anteriores, em 2025,  de desligamento voluntário em empresas públicas, entre elas a Empresa Mato-Grossense de Tecnologia da Informação (MTI). Na estatal, o programa foi instituído com base na Emenda Constitucional Estadual nº 81/2017, conhecida como PEC dos Gastos, com critérios como idade mínima de 45 anos e pelo menos 20 anos de trabalho na empresa.

Apesar de mencionar a alternativa, ele reforçou que a definição das medidas dependerá do diagnóstico em andamento.

“Não está na mesa, no curto prazo, fazer isso. Nós estamos analisando e fazendo um diagnóstico de quais medidas são mais adequadas”, afirmou.

Além dos efeitos futuros da reforma tributária, Gallo apontou a possibilidade de perda de R$ 1,5 bilhão em arrecadação destinada a investimentos. Na entrevista, não especificou a origem do recurso nem quando a redução poderá ocorrer.

“A gente precisa continuar com a nossa trajetória de investimento. Então, onde a gente vai encontrar esse R$ 1,5 bilhão? Nós temos que ser mais eficientes”, declarou.

Segundo ele, o planejamento busca manter os investimentos em 15% da receita corrente líquida do Estado. Gallo defendeu a preservação de recursos para estradas, pontes, aeroportos, ferrovias e hidrovias, além de hospitais, escolas e capacitação técnica.

Na avaliação do ex-secretário, esses investimentos são necessários para manter Mato Grosso competitivo e atrair novas empresas. Por isso, afirmou que a revisão administrativa deve ser orientada pela eficiência e pela capacidade de atender à população.

“O Estado não precisa ser mínimo; ele precisa ser eficiente. E Estado eficiente é aquele que entrega para a população”, disse.

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