Responsável por coordenar os estudos para a reorganização da máquina pública no governo Otaviano Pivetta (Republicanos), o procurador do Estado e ex-secretário de Fazenda Rogério Gallo afirmou que a inteligência artificial deverá transformar atividades do serviço público. Ele defendeu a capacitação dos servidores e alertou para o risco de o Estado se tornar dependente de empresas privadas fornecedoras da tecnologia.
“Ou a gente qualifica muitos dos nossos servidores para atuar com inteligência artificial, para criar modelos de inteligência artificial, ou a gente pode ficar totalmente dependente de empresas privadas”, declarou.
Gallo conduz o diagnóstico da estrutura e dos gastos estaduais que deverá orientar as propostas de redução de despesas e ganho de eficiência no próximo mandato de Pivetta. Nesse debate, foi questionado sobre a possibilidade de novas tecnologias permitirem a realização de mais tarefas com menos pessoas e a redução da folha de pagamento.
O ex-secretário respondeu que ainda não há uma definição sobre a extensão do impacto da inteligência artificial no setor público. Segundo ele, o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento estudam quais categorias poderão ser mais afetadas e quais atividades poderão ser substituídas.
Gallo ressaltou, contudo, que essa discussão não representa um anúncio de desligamento de servidores.
“A gente, obviamente, respeita todos os servidores públicos que estão contratados, que têm estabilidade. Isso é uma agenda da inteligência artificial para o futuro”, afirmou.
Na avaliação dele, a incorporação da tecnologia exige planejamento para evitar que a busca por economia gere novos custos e comprometa a autonomia da administração pública.
“Você faz uma substituição, contrata uma empresa, depois fica completamente refém daquele modelo de inteligência artificial que atende, às vezes, um setor importantíssimo da administração pública”, disse.
Por isso, defendeu a preparação dos servidores para trabalhar com essas ferramentas e desenvolver modelos que atendam às necessidades do próprio Estado. A preocupação, segundo ele, é evitar que funções essenciais fiquem condicionadas aos sistemas de fornecedores privados.
Gallo também afirmou que as mudanças tecnológicas poderão provocar o desaparecimento de algumas profissões e o surgimento de outras. No serviço público, disse que esse processo exigirá qualificação e adaptações ao longo do tempo.
“Não há ainda uma resposta cabal para essa pergunta: qual é a extensão do impacto? Há impacto? Há. Mas a gente vai, ao longo do tempo, fazendo as adaptações necessárias”, concluiu.














