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OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS

Cartas de renúncia teriam sido usadas para garantir reeleição de Wanderley, aponta Gaeco

Patrícia Neves e Renato Ferreira

Vereadores de Várzea Grande teriam assinado cartas de renúncia ao mandato como garantia de apoio à eleição de Wanderley Cerqueira (MDB) para a presidência da Câmara. Segundo uma testemunha ouvida pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), os documentos foram posteriormente utilizados para pressionar parlamentares a manter os votos na reeleição do presidente, realizada em maio de 2026.

“As gravações e as cartas de renúncia anteriormente assinadas teriam sido posteriormente utilizadas como instrumentos de constrangimento e pressão política”, descreve o Gaeco no pedido de busca e apreensão que embasou a Operação Cathedra Venalis, deflagrada ontem, terça-feira (20).

O relato foi prestado por uma testemunha que pediu a preservação de sua identidade. Conforme o documento, as cartas teriam sido assinadas durante uma reunião na virada de 2024 para 2025, em uma chácara atribuída ao vereador Miguel Júnior, no Distrito da Guia, em Cuiabá.

Na ocasião, segundo a testemunha, os parlamentares discutiram o apoio à eleição de Wanderley para o primeiro biênio, correspondente a 2025 e 2026. A assinatura das cartas de renúncia teria sido exigida como forma de assegurar o cumprimento dos votos acordados.

Os documentos voltariam a ser utilizados na articulação pela reeleição de Wanderley para o biênio seguinte. De acordo com o relato reunido pelo Gaeco, as cartas, associadas a supostas gravações clandestinas, serviriam para constranger vereadores que cogitassem romper com o grupo ou votar em outro candidato.

Na decisão de 7 de outubro que autorizou medidas de investigação, o juiz Cássio Leite de Barros Netto mencionou o relatório da testemunha com identidade protegida. Ao relacionar os elementos apresentados pelo Ministério Público, o magistrado registrou a suspeita de retenção de cartas de renúncia em branco e de utilização de gravações clandestinas para extorquir e chantagear parlamentares resistentes às orientações do grupo.

A investigação também recebeu relatos de possíveis represálias contra vereadores que se afastaram politicamente de Wanderley ou manifestaram oposição à sua reeleição. Entre as práticas narradas estão ameaças, exonerações de servidores indicados.

Operação do Gaeco

A suspeita sobre o uso das cartas integra a Operação Cathedra Venalis, que apura possível compra de votos, corrupção e atuação de uma organização criminosa na disputa pelo comando da Câmara de Várzea Grande.

A eleição realizada em 14 de maio terminou com a reeleição de Wanderley por 12 votos a 11. O resultado foi posteriormente anulado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Conforme a representação do Gaeco, as cartas teriam funcionado como um instrumento para preservar o apoio político ao presidente e assegurar a continuidade do grupo no controle do Legislativo. As circunstâncias das assinaturas e a eventual utilização dos documentos para coagir parlamentares permanecem sob investigação.

Foram alvos os vereadores de Várzea Grande:

  • Wanderley Cerqueira;
  • Cilço da Cruz Filho, o Cilcinho;
  • Braz Jaciro Ferreira de França;
  • Alecsand Moreira da Silva, conhecido como Alessandro Moreira;
  • Wender Silva Campos Madureira dos Santos, o Wender Madureira;
  • Denival Rodrigues Galibert, o Sargento Galibert;
  • Miguel Angel Claros Paz Júnior, o Dr. Miguel Júnior;
  • Lucélia de Oliveira Moreira;
  • Gisele Aparecida de Barros, a Gisa Barros;
  • Kleberton Feitoza Eustáquio;
  • Raul Coelho Curvo;
  • Emerson Cezar de Campos Magalhães, o Enfermeiro Emerson;
  • Rogério França Martins, o Rogerinho Dakar.

Em Cuiabá, os vereadores:

  • Ildefonso Taques de Lucena Filho, o Ilde Taques;
  • Alex Rodrigues.
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