Uma reunião de vereadores em uma chácara no Distrito da Guia, em Cuiabá, teria ocorrido sob vigilância de homens armados na véspera da eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande. A informação consta da denúncia que deu origem às investigações da Operação Cathedra Venalis, deflagrada nesta terça-feira (20) pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso.
Segundo o relato encaminhado ao órgão, mais de dez parlamentares estariam reunidos na propriedade, atribuída ao vereador Miguel Júnior, sob a liderança de Wanderley Cerqueira (MDB), então presidente da Câmara e candidato à reeleição. O grupo aguardaria a sessão marcada para as 10h do dia seguinte, 14 de maio.
A presença de homens armados integra a denúncia inicial e é apresentada no pedido de busca e apreensão como parte do contexto a ser investigado. O documento relata suspeitas de extorsão, chantagem, corrupção passiva e cárcere privado, com o objetivo, entre outros, de assegurar a permanência de Wanderley na presidência do Legislativo.
A denúncia também apontou que uma quantia expressiva de dinheiro em espécie estaria sendo utilizada no local para a compra de votos de vereadores.
Após receber as informações, o Gaeco realizou diligências e produziu um relatório de inteligência. Conforme o pedido, os levantamentos registraram intensa movimentação de pessoas na propriedade rural e permitiram identificar os vereadores Miguel Júnior e Braz Jaciro entre os presentes.
Imagens aéreas obtidas por drones foram incluídas no pedido de busca e apreensão. Os registros mostram áreas da chácara, pessoas reunidas e veículos, acompanhados de fotografias utilizadas pelos investigadores para identificar os participantes.
Durante as diligências, também foram identificados um Toyota Corolla Cross registrado em nome de Miguel Júnior, uma caminhonete Ford Ranger vinculada ao vereador Emerson Cezar de Campos Magalhães, o Enfermeiro Emerson, e uma Fiat Toro registrada em nome de Denival Rodrigues Galibert, o Sargento Galibert.
Entre os vereadores de Várzea Grande apontados como investigados estão Wanderley Cerqueira (MDB), Alessandro Moreira (MDB), Braz Jaciro (PSDB), Cilcinho (PV), Sargento Galibert (PSB), Enfermeiro Emerson (PP), Gisa Barros (Podemos), Kleberton Feitoza (PSB), Lucélia Oliveira (Agir), Dr. Miguel Júnior (Cidadania), Raul Curvo (Republicanos), Wender Madureira (Republicanos), Rogerinho Dakar (PSDB).
Em Cuiabá, são citados Ilde Taques (Podemos), eleito presidente da Câmara na sessão de 6 de outubro, e Alex Rodrigues (Podemos). A reportagem também relaciona o servidor Samir Katumata e Lorineide Inhan, conhecida como Lori, que ocupa cargo de direção administrativa na Câmara de Várzea Grande.














