O vereador Ilde Taques (Podemos), presidente eleito da Câmara de Cuiabá, afirmou na sessão desta quinta-feira (22) que os cerca de R$ 40 mil encontrados durante uma abordagem da Rotam pertenciam a ele e seriam utilizados para pagar trabalhadores de uma obra em sua propriedade. Alvo da Operação Cathedra Venalis, assim como o vereador Alex Rodrigues (Podemos), o parlamentar negou envolvimento em negociações de votos para a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
“Não acharam nada ilegal no carro, nada ilícito. O dinheiro foi comprovado que é um empréstimo pessoal meu, que era para pagamento de mão de obra, de uma obra em minha propriedade”, declarou.
A operação foi deflagrada na terça-feira (20) pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) para apurar suspeitas de compra de votos, corrupção e atuação de organização criminosa na eleição do Legislativo várzea-grandense. Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Conforme publicado pelo Muvuca Popular, o pedido de busca e apreensão registra que os R$ 40 mil foram localizados em um Volkswagen T-Cross ocupado por Ilde, Alex e o assessor parlamentar Vanderlucio Rodrigues da Silva Junior. Na abordagem, os ocupantes alegaram que o dinheiro era proveniente de um empréstimo entre particulares. O trecho do documento não individualiza o proprietário do valor nem apresenta conclusão sobre eventual utilização para pagamento de vantagens indevidas.
Dinheiro na mochila
No pronunciamento, Ilde afirmou que o dinheiro estava em sua mochila. Segundo ele, os policiais revistaram o veículo, e os ocupantes foram liberados em seguida.
O vereador também negou que o valor tenha sido apreendido. A declaração distingue a localização do dinheiro durante a revista de uma eventual retenção pelos policiais.
Ilde relatou que ele e Alex haviam participado de uma confraternização a convite do vereador Miguel Júnior, em uma chácara. Disse que permaneceram no encontro por aproximadamente uma hora e meia a duas horas antes de retornarem para Cuiabá.
“Eu falo que, se eu fosse convidado, eu iria novamente. O Miguel é meu amigo e essa confraternização foi numa chácara dele”, afirmou.
O parlamentar negou ter participado de conversas sobre a eleição da Mesa Diretora de Várzea Grande ou manter articulação política com o presidente daquela Casa, Wanderley Cerqueira (MDB).
“Não tenho relacionamento político com o Vanderlei, com os investigados, não participei de qualquer diálogo em construção da Mesa Diretora de Várzea Grande”, declarou.
Origem da investigação
Ilde também contestou a versão de que a abordagem ao veículo teria dado início à investigação. Segundo ele, a apuração já estava em andamento após uma denúncia sobre suposta compra de votos.
Conforme a representação descrita pelo Muvuca Popular, a investigação teve origem em uma denúncia anônima sobre uma suposta articulação para manter Wanderley na presidência da Câmara de Várzea Grande. O relato apontava uma reunião em uma chácara no Distrito da Guia, em 13 de maio, véspera da eleição.
Após receber as informações, o Gaeco realizou diligências e solicitou apoio da Rotam para abordar o T-Cross, diante da suspeita de transporte de armas e dinheiro. O trecho da representação sobre a revista registra a localização dos R$ 40 mil, mas não informa que armas tenham sido encontradas.
Eleição em Cuiabá
Durante a fala, Ilde defendeu a legitimidade de sua eleição para a presidência da Câmara de Cuiabá. Ele foi escolhido por unanimidade, com os votos dos 27 vereadores, em 6 de outubro, para comandar o Legislativo no biênio 2027/2028.
“Eu fui eleito por unanimidade presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, sem nenhum tipo de acordo ilegal. Foi uma eleição legítima”, afirmou.
O vereador disse confiar no esclarecimento dos fatos e declarou que sua defesa será conduzida pelo advogado. “Confio primeiramente em Deus, confio na Justiça, tenho certeza que no final do inquérito nosso nome sequer será denunciado”, disse.














