O senador Flávio Bolsonaro (PL) concentrou parte de sua estratégia em questionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, sobre o custo de vida, o endividamento das famílias e a segurança pública. No último debate televisivo antes do segundo turno, realizado nesta sexta-feira (23), na TV Globo, o parlamentar apresentou propostas para infraestrutura e aposentadorias, enquanto Lula defendeu os resultados de seu governo e tentou colocar em dúvida o preparo do adversário para governar o país.
A dois dias da votação, os candidatos travaram um confronto que passou pela economia doméstica, pelo agronegócio, pela segurança e pelas diferenças regionais do Brasil. Flávio procurou explorar as dificuldades econômicas e os problemas relacionados à criminalidade, enquanto Lula recorreu a políticas sociais, investimentos públicos e à atuação do governo de Jair Bolsonaro para rebater as críticas.
Custo de vida e salário mínimo
Flávio questionou Lula sobre o endividamento da população e a situação do poder de compra dos brasileiros. O senador procurou associar as dificuldades econômicas à administração petista e cobrou explicações sobre os resultados do governo.
O salário mínimo também virou motivo de confronto. Flávio questionou o conhecimento do presidente sobre o custo de vida nas diferentes regiões do país e provocou Lula sobre a capacidade de compreender as despesas da população. O petista reagiu, colocando em dúvida o preparo do senador para ocupar a Presidência.
Em outro momento, Lula afirmou que o que incomoda seus adversários é a ascensão social dos filhos de trabalhadores, citando jovens que conseguem se formar em medicina e engenharia. A declaração foi usada para defender as políticas de inclusão social e de acesso à educação.
Flávio defende ferrovias e medidas para transporte
A infraestrutura foi outro eixo importante do debate. Flávio afirmou que pretende ampliar a malha ferroviária brasileira e declarou que vai “rasgar o Brasil de ferrovias”, defendendo investimentos no setor.
Durante a discussão, o senador se confundiu ao abordar o tema, e Lula aproveitou a oportunidade para ironizar o adversário e mencionar a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO). O episódio expôs o contraste entre a apresentação de propostas por Flávio e a tentativa de Lula de questionar o conhecimento do parlamentar sobre projetos de infraestrutura.
Os candidatos também discutiram transporte público. O BRT, a possibilidade de tarifa zero para ônibus aos fins de semana e a manutenção do pedágio zero para motociclistas apareceram entre os assuntos abordados. Lula ainda mencionou a transposição do Rio São Francisco, obra de grande relevância para o abastecimento de água no Nordeste.
Nordeste vira palco de confronto
A discussão sobre a região Nordeste ganhou força em um dos momentos do debate. Lula afirmou que todos sabem de sua ligação com a região e sustentou que o Nordeste deu um salto de qualidade durante seus governos. O presidente destacou a transposição do Rio São Francisco e citou a extensão dos canais da obra, afirmando que faltaria pouco para a conclusão dos trabalhos.
Ao defender seu legado, Lula argumentou que o Nordeste conquistou mais cidadania e respeito durante suas gestões. A fala buscou reforçar a importância dos investimentos em infraestrutura hídrica e das políticas sociais para a população nordestina.
Flávio respondeu dizendo ser o “carioca mais nordestino do país” e contestou a avaliação do presidente. O senador também associou a situação da segurança pública na região à atuação do governo petista, acusando Lula de ter levado facções criminosas para o Nordeste. A afirmação foi apresentada como crítica política à gestão da segurança, sem que o debate, por si só, estabelecesse comprovação para a acusação.
Pandemia e confronto sobre Jair Bolsonaro
A pandemia de covid-19 também provocou um embate direto. Lula retomou críticas à atuação de Jair Bolsonaro durante a crise sanitária e mencionou episódios em que o ex-presidente foi acusado de debochar do sofrimento das vítimas da doença.
Flávio contestou a interpretação do petista e pediu que a TV Globo verificasse as imagens e o contexto das declarações de seu pai. O senador sustentou que Bolsonaro não estava rindo das pessoas que sofriam com a falta de ar, mas reagindo a uma situação relacionada à dificuldade respiratória.
O episódio trouxe novamente para o debate a condução da pandemia pelo governo anterior, tema que segue como uma das principais frentes de confronto entre o campo político de Lula e o grupo ligado a Bolsonaro.
Agronegócio e aposentadorias
Flávio criticou as dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais e questionou as condições para plantar e produzir no Brasil. O Plano Safra, programa de financiamento do setor agropecuário, entrou na discussão.
Lula defendeu o crédito rural subsidiado e argumentou que as políticas econômicas precisam ser avaliadas também pelos benefícios que proporcionam à população. O senador, por sua vez, procurou enfatizar os custos enfrentados pelo setor produtivo.
Flávio também prometeu reajustar as aposentadorias acima da inflação, apresentando a medida como forma de preservar o poder de compra dos beneficiários.
Argentina também entra na disputa
Lula citou a situação econômica da Argentina sob o governo de Javier Milei, mencionando dificuldades enfrentadas pela população e o impacto das medidas de ajuste. Flávio contrapôs o argumento com referências à inflação registrada no início da gestão do presidente argentino.
O tema ampliou o debate para além da economia brasileira e colocou em discussão os efeitos de diferentes orientações econômicas sobre a vida da população.














