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GIRO DE NOTÍCIAS

Operação contra vereadores, Angeliquinha e feminicídio marcam semana em MT; confira

Gustavo Castro

A semana foi marcada por investigações policiais, decisões judiciais e acontecimentos de grande repercussão em Mato Grosso. Entre os destaques, estão a Operação Cathedra Venalis, que colocou vereadores na mira do Gaeco; o retorno de Angeliquinha ao sistema prisional; o sequestro de um menino de 11 anos; a condenação de Jackson Pinto por feminicídio; a criação de uma CPI para investigar compras da Educação em Cuiabá e a nova licitação para construir um túnel no Portão do Inferno. Confira.

Feminicídio em VG

Um dos casos mais impactantes da semana foi o assassinato de Regiane Alves Rodrigues da Silva, de 38 anos, atingida com uma facada no peito durante uma discussão com o companheiro, em um mercado no bairro Água Vermelha, em Várzea Grande. O crime ocorreu na noite de segunda-feira (19). A vítima chegou a ser socorrida e levada ao Pronto-Socorro municipal, mas não resistiu aos ferimentos. O suspeito, Luciano Francisco de Moraes, fugiu após o ataque e foi localizado e preso pela Polícia Militar.

Em depoimento, Luciano afirmou que pegou uma faca pequena que estava sobre uma mesa do estabelecimento e golpeou a companheira. Ele tentou minimizar a gravidade da agressão ao dizer que deu apenas uma “facadinha” e alegou que não pretendia matar a mulher. Ao ser informado de que Regiane havia morrido, questionou o delegado. “Morreu mesmo, velho?”. O suspeito também relatou que já havia sido preso anteriormente em uma ocorrência envolvendo a companheira. O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio.

Operação Cathedra Venalis

A Operação Cathedra Venalis, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) na terça-feira (20), levou equipes de segurança a endereços de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão, com a mobilização de mais de 200 agentes. Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá. A apuração busca esclarecer suspeitas de irregularidades relacionadas à eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.

Conforme informações apresentadas na investigação, o suposto esquema envolveria cooptação de parlamentares, vantagens indevidas e mecanismos de pressão para garantir apoio político. Entre os elementos mencionados estão cartas de renúncia que teriam sido assinadas antecipadamente e gravações utilizadas como forma de constrangimento. A investigação também apura suspeitas de pagamentos mensais a vereadores. Os materiais apreendidos, incluindo celulares e computadores, devem ajudar na análise das conversas e dos documentos. As suspeitas ainda estão sob apuração, e os investigados não são considerados culpados apenas por serem alvos da operação.

Angeliquinha volta a Cuiabá após captura na Bolívia

Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha e apontada pelas autoridades como uma das lideranças de facção criminosa com atuação em Mato Grosso, foi transferida para Cuiabá na terça-feira (20). Ela foi encaminhada à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, unidade de onde havia fugido em agosto de 2025. A recaptura ocorreu em setembro, na cidade de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma ação integrada entre autoridades brasileiras e bolivianas.

Após ser detida no exterior, Angeliquinha foi encaminhada inicialmente para uma unidade prisional em Corumbá, em Mato Grosso do Sul, enquanto aguardava o retorno ao estado. Ela acumula condenações que ultrapassam 260 anos de prisão e é investigada por envolvimento em crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A Justiça determinou sua inclusão no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) pelo prazo inicial de 180 dias, medida que prevê regras mais rígidas de custódia. As autoridades investigam se ela continuou exercendo funções de liderança na organização criminosa durante o período em que esteve foragida.

Menino sequestrado

Um menino de 11 anos foi sequestrado enquanto brincava perto de casa, na comunidade Miguel Velho, em Santo Antônio de Leverger, na noite de quarta-feira (21). Segundo o relato feito à Polícia Militar, um carro branco se aproximou e um homem que estava no banco traseiro puxou a criança para dentro do veículo. Durante o trajeto, o suspeito amarrou as mãos e a boca do menino com cipó e o ameaçou de morte caso não ficasse em silêncio.

A criança foi abandonada às margens de uma estrada de chão e encontrada por policiais militares durante as buscas pelo desaparecimento. Os agentes localizaram o menino chorando, com as mãos e a boca amarradas. Ele foi encaminhado ao pronto-socorro para avaliação médica, e os pais e o Conselho Tutelar foram comunicados. Até a publicação das primeiras informações, o suspeito não havia sido identificado. A Polícia Civil deverá investigar o caso para esclarecer a motivação do sequestro e identificar o responsável.

Júri de feminicida

Conforme a investigação, Jackson asfixiou a esposa com uma abraçadeira plástica enquanto ela dormia. Depois, levou o corpo para outro imóvel da vítima e o enterrou em uma cova aberta com auxílio de uma retroescavadeira, sob a justificativa de que faria uma fossa. Para despistar a família e a polícia, ele simulou o sequestro da mulher e mensagens exigindo resgate de R$ 30 mil foram enviadas aos familiares, que chegaram a transferir R$ 500. Durante o júri, o réu afirmou que matou Nilza após uma discussão envolvendo o filho e disse que se arrependeu, mas escondeu o corpo por medo da reação da família. A juíza determinou o início imediato do cumprimento da pena.

CPI da Educação

A Câmara Municipal de Cuiabá oficializou a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Livros Didáticos para investigar suspeitas envolvendo compras de materiais pedagógicos e contratos da Secretaria Municipal de Educação. A apuração foi motivada por denúncias do prefeito Abilio Brunini (PL), que apontou possíveis irregularidades em aquisições realizadas entre 2025 e 2026 e estimou os valores questionados em até R$ 80 milhões. Entre os casos citados estão compras de livros de informática para escolas que, segundo as denúncias, não teriam laboratórios em funcionamento ou disciplina correspondente na grade curricular.

O vereador Demilson Nogueira (PP) presidirá a comissão, que terá Marcus Brito Júnior (PV) como vice-presidente e Tenente-Coronel Dias (Cidadania) como membro titular. O prazo previsto para os trabalhos é de 120 dias. A CPI deverá começar pela análise de documentos e avançar para depoimentos de fiscais de contratos, representantes de empresas e outras pessoas envolvidas nas aquisições. O caso também é alvo de procedimentos e análises por órgãos de controle. A comissão deverá apurar se houve irregularidades, sem que as denúncias representem, por si só, comprovação de fraude.

Licitação do túnel no Portão do Inferno

O Governo de Mato Grosso abriu uma nova licitação para construir um túnel na região do Portão do Inferno, na MT-251, entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães. O edital foi publicado na quinta-feira (22), um dia depois de o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmar que pretende avançar com o projeto mesmo diante do impasse envolvendo as autorizações ambientais. Pivetta declarou que, se o Ibama embargar a obra, o Estado recorrerá à Justiça para tentar garantir a execução. A fala reforçou o embate em torno da intervenção, considerada prioritária pelo governo para resolver os problemas de segurança no trecho.

A obra tem custo estimado em R$ 72,5 milhões, e as empresas interessadas poderão apresentar propostas até 28 de janeiro de 2027. O projeto prevê um túnel de 170 metros, com pista de concreto e acostamento; somados os acessos, a estrutura terá 513 metros. Esta é a segunda tentativa de contratação: a primeira licitação terminou sem vencedor porque a única empresa participante foi inabilitada por não atender aos requisitos econômico-financeiros. O governo aponta instabilidade no maciço rochoso e risco de queda de blocos como justificativas para a obra, enquanto o impasse ambiental segue como um dos obstáculos à execução.

 

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