O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil) condenou relatos de demissões e ameaças contra trabalhadores que votaram no PT e defendeu o reconhecimento do resultado do segundo turno presidencial, realizado no domingo (25). Apoiador de Flávio Bolsonaro (PL), o parlamentar atribuiu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva à mobilização da militância petista, ao desempenho dos candidatos nos debates e a um erro da própria direita na escolha de seu representante.
Na avaliação de Júlio, a insatisfação com o resultado eleitoral não pode servir de justificativa para pressionar trabalhadores ou punir escolhas individuais. Questionado sobre relatos de empresários que estariam dispensando eleitores petistas, classificou esse tipo de conduta como antidemocrático.
“Eu acho que isso aí é horrível. Democracia, por isso que o voto é secreto. Se o voto fosse para ser pressionado, não seria secreto”, afirmou.
O deputado mencionou ter tomado conhecimento de supostas ameaças em um grupo de WhatsApp de Lucas do Rio Verde, mas não confirmou a ocorrência de demissões motivadas pelo voto em Mato Grosso. Ao tratar do assunto, defendeu a liberdade de escolha do eleitor.
“Eu lamento profundamente. O cidadão tem que ter liberdade para votar”, declarou.
Júlio recorreu à própria derrota na disputa pela reeleição à Assembleia Legislativa para sustentar que a frustração nas urnas faz parte da vida pública. Segundo ele, a expectativa era superar 40 mil votos, mas o resultado ficou em aproximadamente 18,5 mil, deixando-o na suplência.
“Eu fiquei sentido de perder a eleição, mas não vou condenar, vou zangar por causa disso, não. O cidadão optou por escolher novos deputados”, disse.
Erro na escolha do candidato
Ao analisar o desfecho da corrida presidencial, Júlio fez uma crítica à decisão de Jair Bolsonaro de apoiar o filho. Para o parlamentar, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deveria ter sido o candidato do campo político.
“O erro começou na escolha do candidato. O candidato natural da direita deveria ser o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Lamentavelmente, por questão pessoal, particular, o presidente Bolsonaro indicou seu filho Flávio”, afirmou.
Embora tenha reconhecido o crescimento da candidatura ao longo da disputa, o deputado avaliou que Flávio não conseguiu superar o desgaste do primeiro debate do segundo turno. Na leitura dele, houve melhora no confronto seguinte, mas insuficiente para reverter o cenário.
Júlio também afirmou que havia alertado lideranças locais e nacionais sobre a capacidade de mobilização do PT. Segundo o deputado, a militância ocupou as ruas entre os dois turnos e contribuiu para a mudança no comportamento do eleitorado.
“O presidente Lula, temos que reconhecer, entre o primeiro e o segundo turno, a militância do PT foi à rua”, disse.
Apesar de ter trabalhado pela vitória de Flávio, o parlamentar reconheceu a legitimidade da reeleição de Lula e defendeu que a direita reorganize suas lideranças a partir do resultado.
“Não era o que eu queria, mas a gente tem que reconhecer que a democracia é isso, ganha e perde. Eu já disputei dez eleições, ganhei sete, perdi três. Então é normal na política”, afirmou.
Para Júlio, o próximo passo passa pela atuação do Congresso Nacional. O deputado disse esperar que os parlamentares eleitos façam um bom trabalho e que a oposição não se transforme em obstáculo ao funcionamento do governo.
“Agora vamos formar uma nova liderança e confiar que o Congresso Nacional eleito, que a grande maioria é de centro-direita, faça um bom trabalho, mas também que não atrapalhe o novo governo”, concluiu.
















