CRIME CONTRA A MULHEER
Em menos 15 dias, Mato Grosso já soma 548 medidas protetivas e um feminicídio
Kamila Araújo
Em apenas duas semanas de 2026, o Poder Judiciário de Mato Grosso já determinou 548 medidas protetivas de urgência para proteger mulheres vítimas de violência doméstica. O dado ganha ainda mais peso após o registro do primeiro feminicídio de 2026, ocorrido neste domingo (11), em Nova Maringá, quando uma mulher foi assassinada pelo próprio marido na frente dos filhos.
Os números mostram que a violência contra a mulher continua em patamar elevado. Em todo o ano de 2025, o Judiciário mato-grossense concedeu 18.770 medidas protetivas, o que representa uma média superior a 50 decisões por dia ao longo do ano passado.
Primeiro feminicídio de 2026 choca pela brutalidade
O primeiro feminicídio registrado em Mato Grosso em 2026 vitimou Laila Carolina Souza da Conceição, de 29 anos, morta a facadas pelo companheiro, também de 29 anos, na manhã desse domingo (11), no município de Nova Maringá, a 379 quilômetros de Cuiabá.
Segundo a Polícia Militar, o crime ocorreu por volta das 10h50, após uma discussão entre o casal. Vizinhos acionaram a polícia ao ouvirem gritos vindos da residência. Quando os militares chegaram ao local, encontraram uma criança em estado de choque pedindo ajuda. Dentro da casa, o corpo de Laila foi localizado no chão, com diversas perfurações provocadas por arma branca.
Uma equipe do Hospital Municipal foi acionada, mas a morte foi constatada ainda no local. Após o crime, o suspeito fugiu antes da chegada da polícia, mas foi localizado pouco tempo depois correndo pelas ruas da cidade, com uma faca na mão e o corpo sujo de sangue. Ele foi preso em flagrante e, durante a abordagem, confessou o assassinato, afirmando que “perdeu a cabeça” durante a discussão.
O homem foi encaminhado à delegacia e permanece à disposição da Polícia Civil. O caso é investigado como feminicídio.
Vale lembrar que, o ano de 2025 encerrou com 54 feminicídios registrados no Estado. Desses casos, seis ocorreram em Sinop e quatro em Cuiabá, segundo os dados oficiais.



