NÃO EXISTE MILAGRE
Endocrinologista alerta sobre o uso do soro antirressaca no Carnaval
Metrópoles
Durante o Carnaval, algumas pessoas aproveitam o feriado prolongado e acabam exagerando no consumo de bebidas alcoólicas. Em alguns casos, os foliões misturam várias opções, como cerveja, vodca, tequila e gin. O resultado desse combo etílico tende a ser a ressaca no dia seguinte. Para aliviar o quadro, há quem busque uma “mágica” por meio do uso do soro antirressaca.
De acordo com a endocrinologista Jacy Maria Alves, o soro antirressaca “não cura” os sintomas decorrentes do consumo excessivo de álcool. A médica enfatiza: “Essa fórmula não acelera o metabolismo nem desintoxica o fígado”. Ela argumenta que a substância pode aliviar alguns efeitos por hidratar e repor eletrólitos, entretanto, “o benefício é limitado ao componente de desidratação.”
Mestre em medicina interna, a metabologista ressalta sobre a fórmula não substituir a prevenção nem a avaliação clínica quando indicada. “Não caia em falsas promessas”, frisa.
O que é o soro antirressaca?
Caso não saiba o que é o soro antirressaca e o que engloba, a endocrinologista explica o que compõe a substância: “Geralmente é uma infusão intravenosa de solução cristalóide (soro fisiológico 0,9% ou Ringer), às vezes com vitaminas do complexo B, vitamina C, magnésio e, em alguns serviços, antieméticos e/ou analgésicos.”
A especialista em medicina do estilo de vida enfatiza sobre os soros antirressaca terem a promessa de “recuperação rápida”, porém, a fisiologia dos efeitos decorrentes da ingestão exagerada de álcool é “multifatorial”. Ela cita os quadros de desidratação pela inibição do hormônio antidiurético, hipoglicemia relativa, irritação gastrointestinal, alterações do sono e citocinas pró-inflamatórias.
Segundo a médica, hidratar ajuda “em parte o problema” do consumo de bebidas alcoólicas em excesso, mas não resolve o todo. “O mais importante é não exagerar, beber com moderação, para que a diversão não termine antes do previsto”, finaliza Jacy.



