ESQUEMA DE R$20 MILHÕES
Condenada a quase 100 anos de prisão, faccionada foragida tem pai, filha e genro presos em operação
Muvuca Popular
Considerada de alta periculosidade e integrante do Comando Vermelho, a faccionada Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, segue foragida após escapar da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, na madrugada de 16 de agosto de 2025. Condenada pela Justiça a 99 anos e 11 meses de prisão, ela é apontada como liderança criminosa na região norte de Mato Grosso.
Na manhã desta quinta-feira (5), familiares próximos da faccionada foram presos durante a Operação Showdown, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso. Entre os alvos estão o pai dela, Paulo Felizardo, a filha Kauany Beatriz e o genro Guilherme Laureth.
A operação cumpre 31 ordens judiciais, incluindo quatro mandados de prisão, sete de busca e apreensão, seis sequestros de veículos, quatro sequestros de imóveis, bloqueio de contas bancárias e suspensão de empresas. As medidas foram autorizadas pela Justiça e são cumpridas nos municípios de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.
As investigações apontam que o núcleo familiar atuava como operador financeiro da facção, movimentando recursos provenientes do tráfico de drogas. Em um período de um ano e sete meses, o grupo teria movimentado mais de R$ 20 milhões, valores considerados incompatíveis com a renda declarada.
Segundo a polícia, o esquema utilizava empresas de fachada nos ramos de calçados, beleza e roupas multimarcas para dar aparência legal ao dinheiro ilícito. Outra estratégia incluía o uso de plataformas digitais de jogos de azar, nas quais os valores eram posteriormente apresentados como ganhos legítimos.
As apurações também identificaram um braço do esquema ligado à exploração de garimpo ilegal na região de Alta Floresta. O pai da faccionada seria responsável por gerenciar a atividade, além de administrar um bar e um prostíbulo próximo à cidade de Nova Bandeirantes, locais que também serviriam como base para extorsões contra garimpeiros e distribuição de drogas.
Angélica Saraiva de Sá foi condenada pelo Tribunal do Júri da comarca de Nova Monte Verde pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e participação em organização criminosa. Conforme a denúncia do Ministério Público, ela participou do assassinato de quatro jovens, Alan Rodrigues Pereira, Caio Paulo da Silva, Jefferson Vale Paulino e João Vitor da Silva, ocorrido em agosto de 2022 em uma fazenda da região.
Mesmo condenada a quase um século de prisão, a faccionada permanece foragida, enquanto as investigações avançam para desmontar a estrutura financeira da organização criminosa.



