3 MIL HECTARES JÁ DESTRUÍDOS
Megaoperação prende 51 suspeitos e intensifica combate ao garimpo ilegal em terra indígena
Muvuca Popular
Uma megaoperação realizada por forças de segurança resultou na prisão de 51 suspeitos envolvidos no garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé, em Pontes e Lacerda, a 483 km de Cuiabá. A ação foi deflagrada na quarta-feira (25) e não foi divulgada previamente para garantir o efeito surpresa.
Dos detidos, cinco permanecem presos. Informações sobre o efetivo empregado, duração da operação e meios utilizados não foram detalhadas por questões estratégicas.
A região é considerada uma das mais afetadas pela mineração ilegal na Amazônia Legal e vem sendo alvo de operações permanentes para retirada de invasores. Nos últimos anos, o território passou a ser dominado por grupos criminosos, segundo investigações policiais.
O avanço do garimpo está diretamente ligado à valorização do ouro no mercado internacional, o que tem intensificado a invasão de áreas protegidas.
A operação reúne diversos órgãos federais e forças de segurança, que atuam de forma integrada no combate às atividades ilegais e na proteção do território indígena.
Plano de retirada
O governo federal trabalha na elaboração de um plano completo para retirada dos invasores, com prazo previsto para apresentação até esta sexta-feira (27). O documento estabelece diretrizes para a desintrusão da área, incluindo a retirada de não indígenas e a eliminação da estrutura utilizada no garimpo ilegal.
Destruição de maquinários
No início do mês, uma operação ambiental já havia destruído mais de 40 máquinas em um único dia, recorde nas ações realizadas na região. Em outra etapa anterior, foram inutilizados 24 equipamentos em apenas um dia.
Região estratégica e conflitos
Por estar próxima da fronteira com a Bolívia, a área também é apontada como rota para o tráfico de drogas. A partir de 2022, grupos criminosos passaram a atuar na região e, no ano seguinte, avançaram sobre o garimpo ilegal.
Desde então, operações integradas já destruíram centenas de equipamentos e causaram prejuízos milionários às organizações criminosas.
A Terra Indígena Sararé abriga cerca de 200 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias. Com aproximadamente 67 mil hectares, mais de 3 mil já foram devastados pela exploração ilegal.
As autoridades estimam que cerca de dois mil garimpeiros ainda atuem na região, o que mantém o cenário de tensão e risco de conflitos armados. A investigação segue em andamento.


