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DESENHO ELEITORAL

Botelho enfrenta resistência no MDB e é pressionado a “engordar” chapa para viabilizar quatro vagas

Renato Ferreira

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A possível filiação do deputado estadual Eduardo Botelho no MDB já encontra resistência interna entre parlamentares com mandato. A avaliação é do também deputado Dr. João (MDB), que admitiu que a chegada do colega só será viável se vier acompanhada de reforço político capaz de ampliar o potencial eleitoral da sigla.

Segundo ele, apesar de o partido manter diálogo aberto e não descartar a filiação, há um cálculo pragmático sendo feito pelos atuais deputados. “Ele está com as portas abertas, vamos discutir. Temos tempo para conversar e ver se é bom para ele e para nós”, afirmou.

O ponto central da resistência, no entanto, é recorrente em todas as legendas: o receio de deputados já eleitos perderem espaço com a chegada de novos nomes competitivos. “A maior discussão dos partidos é essa. Quem tem mandato não quer aceitar outro com mandato chegando”, pontuou.

Atualmente, o MDB já conta com nomes consolidados para a disputa à reeleição, como do próprio Dr. João e dos deputados Juca do Guaraná e Thiago Silva. Nesse cenário, a entrada de Botelho exigiria mais do que capital eleitoral individual.

Dr. João foi direto ao explicar a conta política: “Ele tem um potencial de voto muito grande. A gente teoricamente faria três. Com ele, faria quatro? Então ele precisa levar alguém, agregar alguma coisa importante para o partido”.

A fala expõe a lógica das chapas proporcionais, que dependem não apenas de nomes fortes, mas de um conjunto equilibrado de candidatos capazes de somar votos em diferentes faixas. Sem esse reforço, a chegada de um novo puxador de votos pode gerar mais conflito do que ganho.

O deputado também citou a saída da deputada Janaina Riva da disputa para estadual como um fator que alterou o desenho da chapa. Segundo ele, o partido trabalha para recompor esse espaço com nomes intermediários, na faixa de 10 mil a 15 mil votos, mas ainda precisa fortalecer a base da nominata.

“Hoje a chapa tem uma cabeça boa e um meio que consegue suprir a ausência da Janaína. Mas precisa melhorar o final, o ‘rabo’, para ficar competitiva”, explicou.

Nos bastidores, a definição sobre o futuro de Botelho deve avançar ainda dentro da janela partidária, com o MDB tentando equilibrar dois objetivos: ampliar sua bancada na Assembleia Legislativa e evitar desgaste interno entre seus próprios quadros.

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