GARGALO NO AGRO
Pivetta diz que Estado pode ajudar pequenos produtores com armazéns e que “grandes se virem”
Renato Ferreira
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) reconheceu que Mato Grosso enfrenta um déficit estrutural na armazenagem de grãos e afirmou que o Estado pode apoiar pequenos produtores, mas deixou claro que grandes produtores devem buscar soluções próprias.
“Não tem como o Estado interferir nisso, nós não temos recurso para isso. Se tiver demanda de pequenos e suas organizações, nós temos o fundo de aval e podemos até participar através da MT-PAR, quando é pequenos. Porque os grandes produtores, eles se viram”, disparou.
“Isso é falta de infraestrutura. O Mato Grosso carece muito de infraestrutura”, afirmou o governador ao comentar a reclamação de produtores rurais sobre a escassez de armazéns no Estado.
Segundo Pivetta, a produção agrícola praticamente dobrou na última década, saltando de cerca de 50 milhões para 100 milhões de toneladas, enquanto a capacidade de armazenagem não acompanhou esse crescimento.
“Nós dobramos a produção de grãos nos últimos dez anos, saímos de 50 e vamos para 100 milhões de toneladas”, destacou.
Hoje, aproximadamente 60% da produção não tem local adequado para estocagem, obrigando o escoamento imediato ou até práticas como armazenamento a céu aberto em períodos de safra.
“Temos hoje uma deficiência de cerca de 60% de tudo que nós produzimos não tem armazém. Ou tem que ir para a carroceria do caminhão e ir embora, ou armazenava-se a céu aberto até pouco tempo”, pontuou.
O governador também destacou que o foco do Estado nos últimos anos tem sido melhorar a infraestrutura logística para escoamento da produção, como estradas e acesso a portos e ferrovias.
“O que nós fizemos nos últimos sete, oito anos é as estradas necessárias para os caminhões chegarem nos portos de escoamento, nos terminais ferroviários”, afirmou.
Segundo ele, o crescimento recente da produção em Mato Grosso é equivalente, proporcionalmente, a tudo o que o Paraná produz atualmente.
“Nós colocamos um Estado do Paraná em sete anos, proporcional a 45 milhões de toneladas”, completou.
Pivetta avalia que, com a organização do setor produtivo, o problema da armazenagem tende a ser reduzido ao longo da próxima década.


