1º DE MAIO
Bares e restaurantes reforçam papel social no mercado de trabalho brasileiro
Muvuca Popular
O setor de alimentação fora do lar é um dos mais democráticos do Brasil. Para além do público, a diversidade também é uma característica da mão de obra. Hoje, dos mais de 5 milhões de pessoas empregadas na área, 57.4% são mulheres, o setor que mais emprega a força feminina no Brasil. O segmento também é o que mais contrata jovens com até 24 anos, e o segundo que mais contrata pessoas com baixa escolaridade, apenas atrás do agronegócio.
Com 16 anos de experiência no setor, Taiene Righetto, sócio do Pirata Bar, em Fortaleza (CE), acredita que essa variedade de perfis é uma de suas grandes forças. “Equipes com diferentes idades, origens e experiências conseguem atender melhor um público que também é diverso. Isso melhora a comunicação, amplia a criatividade e fortalece o ambiente. No dia a dia do restaurante, isso se traduz em mais empatia, melhor atendimento e soluções mais rápidas para os desafios operacionais”, afirma.
A alimentação fora do lar também se destaca por ser a porta de entrada para o mercado de trabalho. Dentre os trabalhadores do setor, 39.9% possuem menos de 24 anos, sendo o segmento da economia com a maior participação de funcionários nessa faixa etária. Além disso, pessoas com baixa escolaridade (até o ensino médio completo) correspondem a 95,7% da mão de obra.
Segundo Righetto, isso se deve ao fato de o setor de alimentação fora do lar ter um caráter pragmático. “Ele valoriza mais a atitude e a disposição do que a formação formal inicial. Isso abre portas para jovens em busca do primeiro emprego”, explica.
Em relação à inclusão produtiva de quem enfrenta mais barreiras de acesso ao emprego formal, ele acredita que o segmento cumpre um papel social de grande importância. Restaurantes, bares e outros negócios similares conseguem absorver pessoas com pouca experiência e oferecer treinamento prático e oportunidade real de crescimento. Isso permite incluir pessoas que, muitas vezes, estavam à margem do mercado formal, gerando renda, dignidade e perspectiva de carreira.
É também por essa característica que o setor ocupa um lugar relevante na dinâmica social e econômica do país. Nesse contexto, ganha ainda mais importância discutir como os empresários podem contribuir para melhorar as condições de trabalho, a qualificação e a valorização profissional no setor.
Para Righetto, esse processo começa na estruturação das rotinas de trabalho, com escalas mais organizadas e ambientes mais seguros. Em segundo lugar, com investimento em capacitação contínua, desde treinamentos operacionais até desenvolvimento de liderança. Ele também destaca o cuidado com as pessoas: “valorizar a equipe com reconhecimento, plano de crescimento e remuneração compatível com desempenho. Quando o empresário entende que gente bem cuidada entrega melhor resultado, isso deixa de ser custo e passa a ser estratégia”.
Em um setor intensivo em mão de obra, marcado por jornadas dinâmicas e pela necessidade constante de adaptação, essa é uma parte essencial da sustentabilidade dos negócios.
Para José Eduardo Camargo, líder de Conteúdo da Abrasel, investir em qualificação, reconhecimento e boas condições de trabalho fortalece o ambiente interno e contribui para a construção de um setor mais forte e preparado para o futuro.
“Bares e restaurantes são, para milhões de brasileiros, o primeiro passo no mercado de trabalho e uma oportunidade concreta de desenvolvimento profissional. Isso mostra a importância de conciliar a dinâmica do negócio com o compromisso de valorizar as equipes e ampliar as oportunidades dentro do setor”, comenta.
Nesse cenário, equilibrar os desafios do negócio com a valorização da equipe é essencial. Righetto afirma que esse equilíbrio é alcançado a partir de uma gestão eficiente. “O setor trabalha com margens apertadas, então não dá para romantizar. Mas também não dá para negligenciar a equipe. O caminho é produtividade com inteligência, ou seja, processos mais eficientes, cardápios bem estruturados, controle de custos e uso de tecnologia”.
“Quando o negócio é bem-organizado, sobra espaço e capital para investir nas pessoas, e isso retorna em menos rotatividade, mais engajamento e melhor experiência para o cliente” acrescenta.


