PRODUTOR
Assistência técnica transforma pecuária e eleva produção de bezerros em Juína
Muvuca Popular
No dia 1º de maio, data que celebra o Dia do Trabalho, a história do produtor rural Anderson Douglas Thibes de Oliveira, do Sítio Nossa Senhora do Carmo, em Juína (MT), mostra na prática como o trabalho no campo, aliado à assistência técnica, pode transformar realidades e impulsionar a produtividade.
A Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Inseminação, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar MT), tem levado tecnologia, gestão e melhoramento genético às propriedades, com resultados visíveis na produção de bezerros.
Dedicado à atividade de cria, Anderson sempre viveu o dia a dia da pecuária com muito esforço. Antes da chegada da ATeG Inseminação, muitas decisões eram tomadas com base na experiência e na intuição, sem o suporte técnico necessário para potencializar os resultados.
“Era praticamente a mesma rotina, mas sem ter uma pessoa para tirar nossas dúvidas. Às vezes a gente precisava de orientação e não tinha quem explicasse melhor”, relembra o produtor.
A transformação com a produção dos bezerros começou com o acompanhamento do técnico de campo Gustavo Kuhne Andrade Cidin, engenheiro agrônomo, que há mais de três anos atua na assistência técnica do Senar MT na cadeia da bovinocultura de corte. Mais do que orientar, ele passou a construir, junto com Anderson, uma nova visão sobre a propriedade, a de uma empresa rural baseada em dados, planejamento e resultado.
“Antes, por exemplo, o calcário era aplicado sem uma base técnica. Era no ‘olhômetro’. Com a assistência, passamos a fazer análise de solo e definir exatamente a quantidade necessária por hectare”, conta Anderson.
A mudança também alcançou a nutrição animal. Com a reformulação da ração, orientada pelo técnico, o custo por quilo caiu significativamente. “Antes a gente achava que estava pagando um preço bom. Depois do trabalho do Gustavo, conseguimos reduzir em mais de R$ 0,80 por quilo de ração, chegando a cerca de R$ 1,20”, destaca.
Segundo Gustavo, um dos principais desafios do trabalho em campo é mostrar ao produtor, com números, a realidade da propriedade. “Muitas vezes o produtor acredita que está tendo uma lucratividade ou produtividade diferente da real. Quando colocamos isso na ponta do lápis, ele consegue visualizar onde pode melhorar e onde está perdendo dinheiro”, explica.
Na propriedade, o trabalho envolveu recuperação de pastagens, calagem, adubação, manejo nutricional e descarte estratégico de vacas vazias, ações que refletem diretamente na eficiência do sistema produtivo.
Mas foi com a chegada da ATeG Inseminação que os resultados passaram a aparecer de forma ainda mais evidente. O primeiro lote atendido contou com 40 vacas inseminadas, resultando no nascimento de 13 bezerros.
Para Anderson, a tecnologia representa um avanço importante, principalmente pelo acesso facilitado proporcionado pelo programa. “Muitos produtores querem fazer inseminação, mas não têm condição de contratar esse serviço. Com o Senar, isso ficou mais acessível e ajuda muito quem está no campo”, afirma.
A longo prazo, a expectativa é ampliar a produtividade da fazenda. “O planejamento é aumentar o número de nascimentos. Se hoje temos uma base de 100 bezerros, queremos chegar a 120, 130. Quanto mais aumentar, melhor para o produtor”, projeta.
A médica veterinária Renata Carvalho, analista do projeto ATeG Inseminação, reforça que o serviço vai muito além do procedimento. “A inseminação deixa de ser uma ação pontual e passa a assumir um papel estratégico dentro da propriedade. Não é apenas inseminar. É preciso alinhar nutrição, manejo sanitário, estrutura, seleção do rebanho e gestão para que a tecnologia gere resultados”, explica.
Segundo ela, o diferencial do projeto é integrar a tecnologia reprodutiva a uma visão ampla de gestão. “Quando vemos bons resultados, sabemos que eles são fruto do trabalho conjunto de várias pessoas: do técnico de campo, do técnico de reprodução, do mobilizador e, principalmente, do produtor, que abraça o processo e aplica as orientações no dia a dia.”
Essa articulação começa ainda antes da assistência chegar à propriedade, com o trabalho de mobilização realizado pelo Sindicato Rural. Em Juína, esse papel é conduzido por João dos Reis, que acompanha de perto a realidade dos produtores da região.
“Nosso trabalho começa na mobilização, aproximando o produtor do programa, explicando a importância da assistência e acompanhando os resultados lá na ponta, então precisamos garantir que o resultado apareça”, ressalta.
Para ele, acompanhar a evolução da propriedade de Anderson é motivo de orgulho.“É gratificante ver os frutos sendo colhidos. É um trabalho que demanda tempo, dedicação e confiança no técnico, mas o resultado compensa. Aqui a gente vê claramente a evolução da propriedade”.
De acordo com o gerente da ATeG, Bruno Farias, histórias como essa mostram a importância do programa para o fortalecimento da pecuária em Mato Grosso.
“A Assistência Técnica e Gerencial tem justamente esse papel de levar tecnologia para dentro da propriedade rural de forma prática. A inseminação artificial acelera o melhoramento genético e traz ganhos diretos de produtividade”, afirma.


