AGRONEGÓCIO
Fertilizantes disparam e elevam custo da soja, milho e algodão em MT
Muvuca Popular
Os custos de produção das principais lavouras de Mato Grosso voltaram a subir em abril, pressionados principalmente pela alta de insumos como fertilizantes e defensivos agrícolas. Segundo boletim do Projeto CPA-MT – Custo de Produção Agropecuária, elaborado pelo Imea e pelo Senar-MT, a elevação atinge diretamente as projeções da safra 2026/2027, ampliando o alerta entre produtores rurais.
No caso da soja, o custeio estimado para a próxima temporada chegou a R$ 4.286,89 por hectare, registrando aumento de 1,88% em comparação com março. O levantamento aponta que a pressão veio, principalmente, do encarecimento dos fertilizantes e do avanço nas despesas com defensivos agrícolas, que seguem como um dos itens mais sensíveis do orçamento da lavoura.
Além disso, o relatório destaca que as compras de insumos ainda não foram totalmente concluídas, o que mantém o cenário de incerteza e reforça a preocupação com a evolução dos custos até o fechamento do planejamento da safra.
Já o milho apresentou o maior crescimento percentual entre as culturas monitoradas. O boletim aponta que o custeio para a safra 2026/27 aumentou 2,32% no mês, impulsionado principalmente pela elevação dos gastos com fertilizantes e corretivos, além da alta registrada nos defensivos e no custo de sementes.
A análise indica que a instabilidade no mercado internacional desde março ampliou a volatilidade e impactou diretamente os preços futuros de insumos importados, elevando o custo final da produção. Como reflexo, o Custo Operacional Efetivo (COE) do milho subiu 1,72%, enquanto o Custo Total (CT) teve avanço de 1,25% em relação ao mês anterior.
O algodão também entrou na lista das culturas pressionadas. Em abril, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 10.642,28 por hectare, aumento de 1,05% frente a março. De acordo com o CPA-MT, o movimento foi influenciado principalmente pela elevação nos custos ligados a macronutrientes, em meio às tensões externas que seguem afetando o mercado de insumos.
Com isso, o COE do algodão foi projetado em R$ 15.227,56 por hectare, alta de 0,55% no mês.
Um dos dados que mais chamou atenção no boletim é o preço mínimo necessário para viabilizar a produção da pluma. Considerando uma produtividade média estimada em 119,82 arrobas por hectare, o produtor precisará comercializar o algodão a pelo menos R$ 127,09 por arroba apenas para cobrir o custo operacional efetivo.
O relatório reforça que o aumento generalizado nos custos, somado às incertezas do cenário internacional, torna o planejamento da próxima safra ainda mais desafiador para o setor agrícola mato-grossense.


