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DENÚNCIA

Prefeitura pagou R$ 20 milhões em contrato e investiga compra de livros de até R$ 800 produzidos com IA

Do local Renato Ferreira

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O prefeito de Abílio Brunini revelou nesta quarta-feira (27) uma investigação interna sobre supostas irregularidades em contratos da Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá para aquisição de materiais didáticos.

Segundo ele, os contratos podem ultrapassar R$ 70 milhões, sendo que aproximadamente R$ 20 milhões já teriam sido pagos pela prefeitura antes da suspensão imediata dos processos.

De acordo com Abilio, auditorias conduzidas pela equipe de monitoramento da administração municipal e pela nova gestão da pasta identificaram indícios de compras em excesso, preços considerados abusivos e inconsistências entre as justificativas técnicas apresentadas e os materiais efetivamente entregues.

“Nós temos algumas suspeições de que foi feita aquisição de material, livros principalmente, em excesso, de forma desnecessária. E o montante das aquisições podem ultrapassar R$ 70 milhões. É um absurdo o que aconteceu lá”, afirmou o prefeito.

O chefe do Executivo disse que a prefeitura interrompeu todos os pagamentos assim que as suspeitas foram identificadas.

“Já pagaram R$ 20 milhões. Assim que identificamos a irregularidade desse fluxo, a gente suspendeu todos os pagamentos, suspendeu todos os trâmites de contratação”, declarou.
Outro ponto destacado por Abilio foi a análise técnica dos materiais adquiridos. Segundo ele, os conteúdos apresentados não correspondiam às justificativas pedagógicas usadas para autorizar os contratos.

“A justificativa técnica era que esse material era importante por causa do autor, por causa de um conceito pedagógico. Na hora que a gente pega o material, o material é feito com inteligência artificial, não tem nada demais no material. Qualquer pessoa poderia ter feito”, disse.

O prefeito também criticou os valores praticados nos contratos investigados.
“A gente vê também valores absurdos. R$ 800 de um livro queriam pagar produzido por Inteligência Artificial. Nós não aceitamos isso”, afirmou.

Abilio ressaltou que ainda não irá apontar responsáveis diretos pelas possíveis irregularidades até a conclusão da investigação administrativa e dos procedimentos de auditoria.

“Eu não posso falar agora quem cometeu qualquer irregularidade até que as investigações estejam concluídas, porque se eu falo quem cometeu sem conclusão, eu estou acusando essa pessoa”, pontuou. Abilio reafirmou ainda que a investigação será relativa a 2025 e 2026 e o processo de aquisição é anterior a gestão do secretário Reginaldo Teixeira.

Segundo o prefeito, o caso será encaminhado para a Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual e demais órgãos de controle.

“Nós vamos encaminhar para todos os órgãos de controle para apurar se houve irregularidade de fato. E, se houve, como reparar o dano”, afirmou.
O prefeito ainda declarou que as aquisições investigadas foram realizadas antes da atual gestão da Secretaria Municipal de Educação e informou que a apuração ganhou força após levantamentos feitos pelo setor de inteligência da prefeitura em conjunto com auditorias internas.

“O nosso setor de monitoramento e investigação, junto com o conselho de gestão, identificou essas irregularidades. A auditoria que está sendo feita dentro da Secretaria de Educação apontou essas suspeições e agora nós estamos fazendo os encaminhamentos da investigação”, concluiu.

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