ESQUEMA DO FALSO EXECUTIVO
Golpe de R$ 193 mil contra indústria leva à prisão de 16 suspeitos em Cuiabá e VG
Muvuca Popular
Uma fraude eletrônica que causou prejuízo superior a R$ 193 mil a uma indústria do Rio Grande do Sul desencadeou uma grande operação policial na manhã desta terça-feira (9), com 48 ordens judiciais cumpridas em Cuiabá e Várzea Grande.
Batizada de Operação Interface, a ofensiva tem como alvo uma organização criminosa especializada no chamado golpe do “Falso Executivo”, modalidade em que criminosos se passam por diretores e presidentes de empresas para convencer funcionários do setor financeiro a realizar transferências bancárias fraudulentas.
Em Mato Grosso, a Polícia Civil cumpriu 32 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão. No total, a operação executa 87 ordens judiciais nos estados de Mato Grosso e Rio Grande do Norte, além do bloqueio de contas bancárias ligadas aos investigados.
As investigações apontam que uma assistente financeira foi enganada após receber mensagens de um número que utilizava a foto do presidente da empresa. Como o executivo estava em viagem e costumava solicitar pagamentos por aplicativos de mensagens, a funcionária acreditou que as ordens eram legítimas e realizou diversas transferências bancárias.
Somente dias depois ela percebeu que havia sido vítima de um golpe ao constatar que o número utilizado pelos criminosos não pertencia ao verdadeiro presidente da companhia.
A apuração conduzida pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul revelou que a ação criminosa partiu da região de Cuiabá. Após receberem os valores, os envolvidos fragmentavam rapidamente o dinheiro e o distribuíam para dezenas de contas bancárias espalhadas pelo país, dificultando o rastreamento e a recuperação dos recursos.
Segundo a investigação, a organização possuía uma estrutura bem definida, composta por “conteiros”, responsáveis por ceder contas bancárias para receber dinheiro ilícito; “tripeiros”, encarregados de recrutar esses titulares de contas; além dos gerentes e articuladores do esquema.
De acordo com o delegado Bruno Palmiro, da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá, os criminosos utilizavam a chamada pulverização financeira para dificultar a atuação da polícia.
“A técnica permite retardar bloqueios judiciais e dificulta a identificação dos verdadeiros beneficiários do esquema”, explicou.
A delegada Luciane Bertoletti, responsável pelas investigações no Rio Grande do Sul, alertou que esse tipo de fraude tem se tornado cada vez mais sofisticado.
“Os criminosos estudam a estrutura das empresas, identificam executivos e funcionários do setor financeiro e utilizam informações públicas para criar perfis falsos extremamente convincentes”, destacou.
A Operação Interface conta com apoio de diversas unidades especializadas da Polícia Civil de Mato Grosso e integra as ações da Operação Pharus, programa estratégico voltado ao combate às organizações criminosas e fraudes eletrônicas em todo o país.


