PEDIDO DE RAONI
Balsa para travessia no Rio Xingu avança e deve atender aldeias e moradores da região
Muvuca Popular
No Mato Grosso, na Aldeia Piaraçu, localizada na Terra Indígena (TI) Capoto/Jarina, na segunda-feira (22), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) realizaram reunião com lideranças indígenas Mebêngôkre-Kayapó e acompanharam o andamento da construção de uma balsa que atenderá os povos do Xingu e a população da região. A embarcação será utilizada na travessia do Rio Xingu, no trecho da rodovia MT-322.
A construção é fruto de uma reivindicação dos povos indígenas do Xingu, especialmente do líder indígena Cacique Raoni Metuktire, apresentada ao Governo Federal durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à região, em abril de 2025. Resultado da articulação entre o Ministério dos Povos Indígenas e a Funai, a obra é realizada em parceria com o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional e a Marinha do Brasil.
A presidenta da Funai reforçou que a presença da autarquia indigenista e do MPI no território fortalece o diálogo direto com as comunidades e os povos indígenas.
“Viemos acompanhar a construção da balsa, que é uma solicitação do povo Kayapó e que hoje está se concretizando. Além disso, estivemos reunidos com a comunidade para compreender como estão sendo desenvolvidas as ações das instituições no território, bem como ouvir e dialogar sobre as demandas apresentadas, em especial sobre o processo demarcatório da Terra Indígena Kapôt Nhinore, para que possamos avançar na implementação dos direitos dos povos indígenas. É a Funai dialogando com os povos indígenas”, enfatizou.
Além da comunidade local e da presidenta da Funai, estiveram presentes na ocasião o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena; a diretora de Gestão Ambiental e Territorial da Funai, Jovana Andrade; e o coordenador regional do Norte de Mato Grosso, Txuakre Metuktire.
Demarcação da TI Kapôt Nhinore
Entre os temas centrais do diálogo no território, as lideranças destacaram a demarcação da Terra Indígena Kapôt Nhinore, território onde o Cacique Raoni Metuktire passou parte de sua juventude e que é reivindicado pelos Mebêngôkre-Kayapó desde a década de 1980.
Os estudos de identificação e delimitação tiveram início em 2004. Na atual gestão, a Funai aprovou o reconhecimento da TI durante o histórico “Chamado de Raoni”, realizado em julho de 2023.
O processo de demarcação segue em andamento. Após a fase de contestações e a análise dos pareceres técnicos, o próximo passo é a expedição da Portaria Declaratória pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
“Seguimos trabalhando junto aos órgãos competentes para que essa etapa seja concluída, garantindo o direito territorial aos povos que ali habitam”, reforçou o ministro Eloy Terena.
Além da demanda territorial, as lideranças também reivindicaram apoio para o fortalecimento da sustentabilidade nas comunidades indígenas, o incentivo aos projetos desenvolvidos por mulheres indígenas e o fortalecimento da unidade da Funai na região.


