CRISE NO PL
Gisela diz que Flávio Bolsonaro teria agido diferente se Michelle fosse homem
Muvuca Popular
A suplente de deputada federal Gisela Simona (União Brasil) saiu em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na polêmica envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para a parlamentar, o tratamento dado à presidente nacional do PL Mulher foi influenciado pelo fato de ela ser mulher e não receber o mesmo reconhecimento político que um homem teria na mesma situação.
Questionada sobre de que lado estava no desentendimento entre Michelle e Flávio, Gisela foi categórica.
“Michelle Bolsonaro, sem dúvida”, afirmou. Segundo ela, ainda há uma resistência dentro da política em reconhecer a liderança feminina.
“Infelizmente, os homens ainda ignoram muito as lideranças femininas do nosso país. É como se nós não entendêssemos de política, como se nós não tivéssemos um capital político, um protagonismo político, e nós temos”, declarou.
Ao ser perguntada se acreditava que a situação seria diferente caso Michelle fosse um homem, Gisela respondeu que sim. Para ela, a trajetória da ex-primeira-dama à frente do PL Mulher e sua contribuição para ampliar a participação feminina na política deveriam ser reconhecidas.
“Seria diferente. O que a Michelle fez no país, de organizar o PL Mulher, de eleger deputadas federais, senadoras e vereadoras, isso tem que ser reconhecido como capital político. Se fosse um homem, sequer haveria esse tipo de questionamento”, afirmou.
A suplente também rebateu as críticas de parlamentares que questionaram o fato de Michelle tornar pública a situação apenas agora, às vésperas das eleições. Segundo Gisela, esse tipo de cobrança ignora a realidade enfrentada por muitas mulheres vítimas de violência política de gênero.
“Respeitamos o tempo da Michelle. O importante é que ela falou a verdade e isso tem que ser levado em consideração por toda a classe política brasileira”, disse.
Apesar de manifestar apoio à ex-primeira-dama, Gisela acredita que o impasse entre Michelle e Flávio será superado. Ela destacou que o pedido de desculpas feito pelo senador representa o início de um diálogo e afirmou que uma divisão na família Bolsonaro seria prejudicial para a direita.
“Eu acredito que a família vai entrar num acordo, porque a direita por si só já está muito dividida e essa divisão da família seria pior ainda”, concluiu.


