EMBATE
“Ele não quer que eu faça uma excelente gestão”, dispara Flávia contra Cerqueira
MUVUCA POPULAR
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), acusou o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), de dificultar deliberadamente sua gestão para enfraquecê-la politicamente e afirmou que não pretende permanecer em silêncio diante da situação.
Segundo ela, projetos considerados essenciais para o funcionamento da administração, entre eles o que autoriza o remanejamento orçamentário para a Saúde, seguem parados no Legislativo, impedindo investimentos e obrigando a prefeitura a fazer cortes em outras áreas.
“É claro que ele é minha oposição, é claro que ele não quer que eu faça uma excelente gestão. Então ele dificulta naquilo que ele me pauta”, disparou a prefeita nesta sexta-feira (3).
Flávia foi além e avisou que, caso os projetos continuem sem votação, pretende responsabilizar publicamente o presidente da Câmara pelos prejuízos à população.
“Ele pode me prejudicar, mas eu também não vou ficar quieta. Eu vou falar para a população. Ele também vai ter que explicar por que eu não fiz, por que eu não posso comprar uma carreta de remédio. Eu tenho que comprar metade, porque eu tenho dinheiro parado lá na Câmara”, afirmou.
O principal impasse envolve um projeto de lei que autoriza o remanejamento de recursos dentro do orçamento municipal, considerado pela prefeita indispensável para ampliar os investimentos na Saúde. Segundo ela, embora haja dinheiro disponível em caixa, a prefeitura não consegue utilizar os recursos sem autorização do Legislativo.
“Eu só preciso da autorização para remanejamento do orçamento. Se eu não compro remédio, sendo que o dinheiro está na conta, é porque falta essa autorização”, declarou.
Enquanto aguarda a votação da proposta, Flávia afirmou que precisou adotar um rígido contingenciamento financeiro, retirando recursos de outras áreas para evitar o desabastecimento da rede municipal.
“Eu deixo de fazer tapa-buraco para comprar remédio. A população cobra as obras, cobra boca de lobo, mas eu preciso priorizar aquilo que salva vidas”, explicou.
A prefeita reconheceu que algumas unidades básicas registraram falta de medicamentos nos últimos dias, mas garantiu que um novo carregamento chegou nesta sexta-feira e começou a ser distribuído.
Segundo ela, o aumento da demanda provocado pelos mutirões de atendimento também contribuiu para o consumo acelerado dos estoques.
Questionada se atribui à Câmara a responsabilidade pela escassez de medicamentos, Flávia evitou uma acusação direta, mas reforçou que os recursos existem e permanecem sem utilização por falta da aprovação legislativa.
“O dinheiro para custeio existe. Eu estou comprando de acordo com o que tenho no caixa. Agora vocês tirem as conclusões”, disse.
A prefeita também revelou que já solicitou diversas vezes ao presidente da Câmara que colocasse os projetos orçamentários em votação, mas afirma que não foi atendida.
“Eu pedi colaboração quantas vezes para o presidente Wanderley Cerqueira pautar as leis orçamentárias? Ele fez? Não pautou. E nem é ajuda. É dever dele como presidente da Câmara pautar as leis do Executivo”, criticou.
Apesar do embate, Flávia afirmou que continuará tomando as medidas necessárias para manter os serviços essenciais funcionando, mesmo diante das dificuldades impostas pelo impasse político entre Executivo e Legislativo.


