DEU NO FANTÁSTICO
Acusação de furto envolvendo bilhete premiado de R$ 29 milhões em Sinop repercute nacionalmente
Muvuca Popular
O caso do bilhete da Mega-Sena que pode render um prêmio de R$ 29 milhões voltou aos holofotes neste domingo (5) ao ser destaque no programa Fantástico, da TV Globo. A disputa judicial envolve o proprietário de uma casa lotérica de Sinop (500 km de Cuiabá), e uma ex-funcionária, acusada de se apropriar de uma aposta danificada que acabou sendo uma das vencedoras do concurso realizado em agosto de 2023.
Segundo as investigações, a funcionária Clarice Simon atendia uma cliente quando a impressão de um bilhete apresentou defeito. Ela emitiu uma nova aposta com os mesmos números e entregou à apostadora, que posteriormente recebeu sua parte do prêmio. O bilhete com defeito foi guardado em um armário utilizado pelos funcionários dentro da lotérica.
Dois dias depois, ao conferir o resultado do sorteio, Clarice constatou, com auxílio de uma colega de trabalho, que o bilhete danificado também continha as seis dezenas sorteadas. Em seguida, ela deixou a lotérica e foi com o marido até uma agência da Caixa Econômica Federal, onde o casal informou que a aposta havia sido feita por ele.
A Caixa abriu um procedimento para verificar a autenticidade do comprovante, que apresentava falha de impressão, e reteve o pagamento. Antes do fim do prazo para resgate do prêmio, a Justiça determinou o bloqueio dos R$ 29 milhões após o dono da lotérica registrar uma queixa-crime alegando que o bilhete pertencia ao estabelecimento.
A defesa de Clarice sustenta que ela pagou pelo bilhete danificado, prática que, segundo a ex-funcionária e uma colega de trabalho, era comum quando ocorria erro de impressão durante o atendimento aos clientes. Já o proprietário da lotérica afirma que as normas da Caixa proíbem que bilhetes com defeito sejam apropriados por funcionários, independentemente de quem arque com o custo da aposta.
Atualmente, Clarice Simon e o marido, Cladecir Picoli, respondem a uma ação penal por furto qualificado. O Ministério Público ofereceu denúncia com base no inquérito policial, enquanto a defesa nega qualquer irregularidade.
A Caixa Econômica Federal informou que não comenta processos judiciais em andamento, mas afirmou que cumpre rigorosamente as determinações do Poder Judiciário quanto ao pagamento de prêmios e à operacionalização das apostas.
Enquanto a ação criminal segue em andamento, a disputa sobre quem tem direito aos R$ 29 milhões ainda será decidida pela Justiça. As audiências de instrução e julgamento estão previstas para começar em fevereiro de 2027.


