COMBATE À VIOLÊNCIA
Cuiabá capacita equipe para implantar grupos voltados a autores de violência doméstica
Muvuca Popular
A Prefeitura de Cuiabá iniciou a preparação dos profissionais que irão atuar nos Grupos Reflexivos para Homens Autores de Violência contra a Mulher, iniciativa que passa a integrar as políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica no município. A capacitação, promovida pela Secretaria Municipal da Mulher, reúne profissionais e estudantes das áreas de Psicologia, Direito e Serviço Social e antecede o início das atividades, previsto para agosto.
A formação terá duração aproximada de 45 dias, com carga horária de 100 horas e certificação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Os participantes serão responsáveis por conduzir encontros voltados à reflexão sobre comportamentos violentos, responsabilização dos autores e prevenção de novos episódios de violência.
Segundo a secretária municipal da Mulher, tenente-coronel Hadassah Suzannah, o programa amplia as estratégias de proteção às vítimas ao atuar também na prevenção da reincidência. Ela destacou que a iniciativa é fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Cuiabá, a UFMT, a Fundação Uniselva, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e o Fórum da Capital.
“Combater a violência contra a mulher exige ações em diferentes frentes. Nosso compromisso permanece sendo a proteção das vítimas, mas também é necessário desenvolver mecanismos que contribuam para romper o ciclo da violência. Esse trabalho será realizado com base em estudos, acompanhamento técnico e responsabilidade social”, afirmou.
O projeto conta com recursos de R$ 420 mil provenientes de emenda parlamentar do então vereador Fellipe Corrêa, garantindo a execução do programa durante um ano. A primeira turma será formada por homens encaminhados pelo Poder Judiciário.
Coordenador técnico da capacitação, o professor da UFMT Alessandro Vinicius de Paula explica que os grupos possuem caráter educativo e preventivo. “A proposta é levar os participantes a refletirem sobre suas atitudes, compreenderem as consequências da violência e assumirem responsabilidade pelos seus atos. O objetivo é interromper esse ciclo e contribuir para relações mais saudáveis”, disse.
Além da formação dos facilitadores, o programa prevê entrevistas psicossociais com todos os participantes antes do ingresso nos grupos, acompanhamento técnico permanente e elaboração de relatórios destinados ao Poder Judiciário. Também serão monitorados indicadores como frequência, conclusão dos ciclos e reincidência, permitindo avaliar os resultados da iniciativa ao longo de sua execução.


