GOMORRA
“Faz sentido investigar quem apontou as irregularidades?”, diz prefeito após operação
Patrícia Neves
O prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes de Oliveira, se manifestou na quarta-feira (8), após a segunda fase da Operação Gomorra, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) na semana passada. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirmou que foi a própria administração municipal quem determinou a realização de uma auditoria interna que identificou indícios de irregularidades nos contratos de gestão da frota e abastecimento de combustíveis.
Segundo o prefeito, após a conclusão da auditoria, o relatório foi encaminhado pelo próprio município ao Ministério Público e, na sequência, foi instaurado um processo administrativo para apurar responsabilidades, corrigir falhas e aperfeiçoar os mecanismos de controle da Prefeitura.
“O que muitas notícias não mostraram é que fomos nós mesmos que determinamos, por intermédio do nosso controle interno, o início das apurações de fatos que apresentavam indícios de possíveis irregularidades”, afirmou.
Alexandre também alegou que, ao assumir a Prefeitura, encontrou um sistema de controle de abastecimento considerado precário, feito de forma manual. Segundo ele, a informatização permitiu identificar um déficit de combustível acumulado ao longo de vários anos.
“Quando assumi a gestão, o controle de abastecimento de Campo Verde ainda era feito em papel, em bloco de notas. Nós informatizamos todo o sistema, implantamos mecanismos de controle e detectamos um déficit de combustível que vinha se acumulando ao longo de décadas pela falta de um controle mais efetivo”, declarou.
O prefeito questionou o fato de estar sendo investigado justamente por ter autorizado a adesão a uma ata de registro de preços que, segundo ele, possuía parecer jurídico favorável e também foi utilizada por mais de cem prefeituras.
“Faz sentido que justamente o gestor que identificou os problemas, determinou a auditoria, encaminhou os fatos aos órgãos de controle e adotou medidas para corrigir as falhas seja investigado por um ato que se limitou apenas à assinatura de uma ata, respaldada, inclusive, por parecer jurídico favorável?”, disse.
Alexandre afirmou ainda que continuará colaborando com as investigações e disse confiar que os fatos serão esclarecidos.
“Estamos tranquilos, porque sabemos exatamente como agimos. Diante de qualquer indício, eu determinei a apuração, encaminhei os fatos às autoridades competentes e adotei as medidas necessárias para fortalecer os controles da administração. Tenho confiança de que a verdade prevalecerá.”
O prefeito foi alvo da segunda fase da Operação Gomorra, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso, que investiga um suposto esquema de fraudes em contratos públicos que teria movimentado mais de R$ 29 milhões.
Na operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Campo Verde e Cuiabá, além de determinações de quebra de sigilos fiscal e telemático e bloqueio de bens de empresas e investigados. Alexandre Lopes não foi afastado do cargo, mas o secretário municipal de Obras, Rubens Anunciação Júnior, e outros três servidores foram afastados por decisão judicial.


