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POR QUATRO ANOS

Delegado diz que grupo criou “armadilha psicológica” para manter servidora sob extorsão

Patrícia Neves/Nickolly Vilela

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A Polícia Civil afirma que a servidora pública estadual vítima da Operação Laço Oculto foi mantida durante quase quatro anos sob uma intensa pressão psicológica criada por colegas de trabalho, que utilizaram falsas ameaças de agiotas para convencê-la a entregar mais de R$ 1,1 milhão. A ação foi deflagrada neste dia 21 de julho pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá.

Segundo o delegado Hugo Abdon Lima, os investigados montaram uma estratégia de manipulação emocional semelhante às técnicas de engenharia social, explorando o medo e a boa-fé da vítima para mantê-la fazendo pagamentos sucessivos.

“Eles encontraram uma engenharia de pressão psicológica, uma armadilha para uma pessoa generosa e vulnerável emocionalmente. Ela foi pagando, pagando e pagando porque realmente acreditava que sua família corria risco”, afirmou.

Conforme a investigação, a principal suspeita dizia que agiotas conheciam a vítima, sabiam onde ela morava e poderiam matar seus familiares caso a suposta dívida não fosse quitada. Ao mesmo tempo, se colocava como outra vítima da situação e dizia estar tentando negociar com os criminosos.

O delegado afirma que a vítima permaneceu em constante estado de medo, chegando a fazer empréstimos bancários, utilizar cartões de crédito, sacar recursos da previdência privada, gastar dinheiro destinado à construção da casa e até financiar uma caminhonete em seu nome para pessoas ligadas aos investigados.

“Eles perceberam na vítima uma verdadeira galinha dos ovos de ouro. Viram que ela era suscetível a fornecer dinheiro e o próximo passo foi lavar esses valores”, declarou Hugo Abdon Lima.

O esquema só foi interrompido quando o marido da servidora percebeu o abalo emocional da esposa, descobriu as transferências milionárias e procurou a Polícia Civil.

As investigações também apontaram movimentações financeiras incompatíveis com a renda dos investigados, milhares de saques em dinheiro vivo e indícios de ocultação patrimonial, o que levou à expedição de mandados de busca, sequestro de bens e bloqueio de mais de R$ 3,3 milhões em ativos financeiros.

O caso:

A operação foi deflagrada pela  Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Cuiabá e foram  cumpridos mandados em endereços de Cuiabá e Várzea Grande. Entre os alvos da operação estão servidores públicos vinculados à Secretaria de Estado de Saúde (SES), um policial militar e pessoas relacionadas ao fluxo financeiro identificado durante a investigação.

Apesar de não ter envolvimento direto com o caso, a SES colaborou com as investigações. A Corregedoria da Polícia Militar também participa do cumprimento das ordens judiciais nesta terça-feira (21).

Conforme apurado no inquérito policial, a vítima, também servidora da SES, teria sido submetida, entre os anos de 2022 e 2025, a um contínuo processo de intimidação e manipulação psicológica por uma colega de trabalho, que teria criado uma narrativa envolvendo supostas dívidas com agiotas e ameaças contra a vítima e seus familiares, passando a exigir pagamentos sucessivos sob o argumento de que os valores seriam destinados à quitação dessas obrigações.

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