CASO ZAMPIERI
Promotor aponta “grupo de extermínio vocacionado à pistolagem” no júri de PMs
Patrícia Neves
O julgamento dos três policiais militares acusados pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri entra, nesta quarta-feira (29), no segundo dia de oitivas, em Cuiabá. O promotor de Justiça Vinícius Gahyva afirmou que os depoimentos colhidos até o momento reforçaram a tese de que os réus integrariam um “grupo de extermínio” voltado à prática de homicídios por encomenda.
São julgados Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa. Zampieri foi morto a tiros em dezembro de 2023, quando deixava o escritório onde trabalhava, na capital.
Na avaliação de Gahyva, as provas apresentadas em plenário, aliadas aos depoimentos de autoridades da Polícia Civil de Mato Grosso e da Polícia Federal, indicam a existência de uma estrutura organizada para a prática de assassinatos.
“Avaliamos como extremamente proveitoso. Produzimos as provas necessárias, ratificadas pelos depoimentos de autoridades policiais, não só do Estado de Mato Grosso, mas também da Polícia Federal, de maneira que ficou muito bem caracterizado, ao nosso modo de ver, tratar-se de um grupo de extermínio formado e dirigido ao cerceamento da vida de pessoas”, declarou.
O promotor classificou o grupo como “vocacionado à prática de pistolagem” e afirmou que os investigados utilizariam uma identidade político-ideológica de extrema direita para revestir a atuação criminosa.
“É um grupo que se reveste de uma condição de ideologia política de extrema direita para dar aparência a esse posicionamento e praticar ilícitos criminais da maior gravidade, ou seja, homicídios qualificados”, afirmou.
Na terça-feira (28), primeiro dia de oitivas, foram ouvidas seis testemunhas: os delegados da Polícia Civil Nilson André Farias de Oliveira e Edilson Ricardo Pick, o delegado da Polícia Federal Marco Bontempo, além de José Marcos Marini, Mariana Costa Pinto e Lucilene Gonçalves da Silva.
Com a desistência de parte dos depoimentos previstos, a expectativa é de que apenas Coraci Raimundo de Oliveira, testemunha indicada pela defesa de Hedilerson, seja ouvida nesta quarta-feira.



