OPERAÇÃO REPLAY
Ao som de “A Vida é Desafio”, advogada posta ida à PCE e é presa horas depois
Nickolly Vilela
Horas antes de ser presa em uma operação contra um núcleo do Comando Vermelho, a advogada Dayana Karol Moreira publicou nas redes sociais um vídeo a caminho da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, ao som de “A Vida é Desafio”, dos Racionais MC’s. Na manhã desta quinta-feira (30), ela acabou detida durante a Operação Replay, suspeita de atuar na lavagem de dinheiro do tráfico e de prestar serviços ilegais a integrantes da facção.
Dayana foi presa juntamente com o jogador de futebol amador Alex Júnior, conhecido como “Soldado”. Conforme apurado pela reportagem, os dois são investigados por supostamente lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas e prestar serviços ilegais a integrantes da facção, entre eles criminosos presos e lideranças que atuavam fora das unidades penitenciárias.
A Operação Replay busca desarticular um núcleo vinculado ao faccionado Paulo Witter Farias, conhecido como “WT”. Ele é apontado nas investigações como uma das principais lideranças da estrutura criminosa investigada nas sucessivas fases desencadeadas pela Polícia Civil.
A nova operação é um desdobramento das ações Apito Final, Fair Play e Tempo Extra, que já haviam identificado integrantes, colaboradores e operadores financeiros ligados ao grupo criminoso.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação avançou após a análise de dados telemáticos apreendidos nas fases anteriores. O conteúdo extraído de celulares e outros dispositivos deu origem a relatórios técnicos que apontaram a continuidade das atividades da organização, mesmo após as primeiras prisões.
Os investigadores identificaram uma estrutura dividida por funções, com núcleo financeiro próprio, operadores externos e pessoas responsáveis pela movimentação e ocultação dos valores obtidos com atividades ilícitas.
Entre os mecanismos utilizados pelo grupo estariam contas bancárias de terceiros, movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada e a aquisição de imóveis e veículos em nome de pessoas sem capacidade econômica para justificar os bens.
A suspeita é de que a estrutura fosse usada para lavar o dinheiro do tráfico de drogas, ocultar patrimônio e garantir apoio financeiro e operacional aos integrantes da facção, inclusive aos que permaneciam presos.
Além das prisões preventivas, a Justiça autorizou buscas pessoais, domiciliares e veiculares, afastamento do sigilo de aparelhos eletrônicos, compartilhamento de provas, bloqueio de ativos financeiros e indisponibilidade de imóveis e veículos vinculados aos investigados.
As medidas têm como objetivo impedir a continuidade das atividades criminosas, preservar elementos de prova, evitar a transferência de patrimônio e enfraquecer a base financeira que sustentava o grupo.
O patrimônio atingido pelas decisões judiciais foi estimado em aproximadamente R$ 17,28 milhões. A relação inclui apartamentos e casas de alto padrão em Mato Grosso e Santa Catarina, três terrenos e quatro veículos.
Somente os imóveis foram avaliados em cerca de R$ 16,68 milhões. Entre os bens identificados está um apartamento de luxo em Itapema, estimado em R$ 3 milhões, além de um imóvel de alto padrão em Balneário Camboriú, avaliado em aproximadamente R$ 6 milhões.
Também foram alcançados uma casa em condomínio fechado na região de Camboriú, estimada em R$ 6 milhões, uma residência de alto padrão em Cuiabá, avaliada em R$ 1,5 milhão, e três terrenos que somam cerca de R$ 180 mil.
A Justiça ainda autorizou o bloqueio financeiro de até R$ 15,32 milhões, valor relacionado a anotações e registros de contabilidade localizados durante a investigação.
Os valores referentes aos imóveis e veículos e o limite determinado para o bloqueio de ativos representam medidas patrimoniais distintas. Por isso, não devem ser somados como se correspondessem ao total efetivamente apreendido ou recuperado durante a operação.
A Operação Replay cumpriu ordens judiciais em Cuiabá e Várzea Grande, em Mato Grosso, Balneário Camboriú e Itapema, em Santa Catarina, e no Rio de Janeiro. Ao todo, 14 pessoas foram investigadas por suspeita de organização criminosa e lavagem de dinheiro.



