CRIME OCORREU EM 2023
STF não julga recurso e nova tentativa de barrar júri de filho de ex-governador fracassa
Patrícia Neves
O Supremo Tribunal Federal (STF) não analisou, até a manhã desta sexta-feira (31), o recurso apresentado pela defesa de Carlos Alberto Gomes Bezerra para suspender o Tribunal do Júri. O pedido permanece na vice-presidência da Corte e, sem decisão que impeça a sessão, o julgamento está mantido no Fórum de Cuiabá. A expectativa é de que o Conselho de Sentença reúna-se em instantes.
Nas últimas duas semanas, a defesa apresentou quatro pedidos de adiamento e acionou diferentes instâncias na tentativa de impedir o júri. Também questionou a imparcialidade da juíza Mônica Catarina Perri Siqueira no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, no Conselho Nacional de Justiça e, por último, no STF.
Sem ordem suspendendo o processo, a sessão será presidida pela magistrada da 1ª Vara Criminal de Cuiabá. Carlos Alberto será julgado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian César Moreno.
Conforme a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso, Carlos Alberto manteve um relacionamento amoroso com Thays por aproximadamente dois anos e chegou a morar com ela. A acusação sustenta que ele apresentava comportamento controlador e possessivo, monitorando o celular, as redes sociais e os deslocamentos da então companheira.
Thays rompeu o relacionamento em dezembro de 2022. Segundo o MPMT, a inconformidade com o término teria motivado o crime. A denúncia aponta que, após descobrir que a ex-companheira havia iniciado um relacionamento com Willian, o réu teria intensificado a vigilância e planejado as mortes.
No dia 18 de janeiro de 2023, Thays foi buscar Willian no Aeroporto Marechal Cândido Rondon, em Várzea Grande. De acordo com a acusação, Carlos Alberto teria utilizado mecanismos de rastreamento para seguir o casal. Ao perceber que estava sendo acompanhado, Thays acionou o Ciosp e procurou a Central de Flagrantes, mas o suspeito conseguiu deixar o local.
Horas depois, Thays e Willian foram até o edifício onde morava a mãe dela para devolver um veículo. Após deixarem as chaves na portaria, os dois seguiram para a calçada, onde aguardariam um carro por aplicativo.
A denúncia afirma que Carlos Alberto se aproximou dirigindo um veículo e efetuou vários disparos, de dentro do carro, contra Thays. Parte dos tiros teria atingido a vítima pelas costas. Willian tentou fugir correndo pela calçada, mas também foi perseguido e baleado.
Para o Ministério Público, o feminicídio foi cometido por motivo torpe, relacionado à vingança pelo fim do relacionamento, com emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A acusação também sustenta que o crime ocorreu em contexto de violência doméstica e de gênero.
No caso de Willian, Carlos Alberto responde por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa. Segundo o MPMT, o casal foi surpreendido na calçada, em plena luz do dia, sem possibilidade efetiva de reação diante dos disparos.
Carlos Alberto aguarda o julgamento preso no Centro de Ressocialização Industrial Ahmenon Lemos Dantas. Caberá ao Conselho de Sentença decidir se ele será condenado ou absolvido pelos dois crimes.



